Opinião

A tensão no Médio Oriente

A região do Médio Oriente conheceu nas últimas horas a subida de tensão após os ataques, ainda por apurar a proveniência e responsabilidade, contra as instalações petrolíferas da Arábia Saudita, mas que já provocaram uma subida ligeira do preço do crude e aumento da retórica por parte de Washington.

 A paz e segurança mundiais podem estar ameaçados sobretudo se a linguagem militarizada da administração Trump, que atribui culpas ao Irão, sem apresentar provas conclusivas, for materializada através de uma acção bélica propriamente dita. A condenação generalizada do ataque, que ocorreu sábado, é uma realidade em todo o mundo, mas muitos Estados preferiram apelar à calma, tendo a República da China oportunamente advertido os Estados Unidos sobre a culpabilização da República do Irão sem apresentar evidências.
Embora assumidos pelos rebeldes houties, contra os quais a coligação de estados monárquicos do Golfo Pérsico se encontra em conflito armado no Iémen, na verdade, está ainda por se apurar a responsabilidade material atendendo a sofisticação e a precisão dos ataques que envolveu alegadamente drones e mísseis de cruzeiro. Tão logo as agências noticiosas passaram a informar sobre o que tinha sucedido com as instalações petrolíferas sauditas e sem evidências nenhumas que apontavam para nenhum país ou entidade, o secretário de Estado americano apontou logo o dedo ao Irão. Sem apresentar provas, os Estados Unidos dão amostras, mais uma vez, do seu unilateralismo, com todo o desrespeito e indiferença para com os fóruns internacionais onde um assunto como este devia ser levado. Em vez de se privilegiar o Conselho de Segurança, que já devia ser convocado numa altura de crise como esta, a administração Trump está a privilegiar consultas com os seus aliados na região do Médio Oriente para dar "forma e conteúdo" ao que se poderá transformar numa acção militar.
Estamos todos lembrados da acção unilateral da Administração do Presidente George W. Bush, em Março de 2003, quando, completamente baseado em informações falsas, naquela altura sobre a suposta cumplicidade do Iraque no ataque às Torres Gémeas, decidiu fazer guerra contra o regime do deposto Presidente Saddam Hussein.
A referida refrega, no quadro do que a administração Bush chamou de "guerra contra o terrorismo", além de deixar um saldo de mais de 100 mil iraquianos e mais de cinco mil americanos mortos, não contribuiu para estabilizar a região. Pelo contrário, transformou-se numa verdadeira "caixa de Pandora" cuja abertura para a melhoria dos males nela constantes acabaram por multiplicar-se e muitos deles com sequelas até aos dias de hoje.
Hoje, a administração Trump, ironicamente liderada por um Presidente que fez duras críticas às opções belicistas dos seus predecessores, parece "muito interessada" em fazer guerra ou realizar ataques contra o Irão, no âmbito da sua famigerada campanha de "máxima pressão". Terá ponderado até aonde essa situação poderá levar ?
Tal como no passado, a experiência mostra que pode ser muito fácil ao Presidente Trump começar eventualmente um conflito militar no Médio Oriente, mas não será fácil terminá-lo. É importante que o Conselho de Segurança tenha uma palavra a dizer e impeça que medidas unilateralistas, que custaram muito caro no passado recente e deixaram instável a região do Médio Oriente, voltem a acontecer.

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