Opinião

A União Africana

Como habitual e anualmente, a cidade de Addis Abeba, capital da Etiópia, foi palco, e desta vez, da 33ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo, sob o lema "Silenciar as armas: criando um ambiente favorável ao desenvolvimento", numa altura em que emerge o desafio da busca e efectivação da paz no continente.

Embora África tenha evoluído positivamente para a relativa estabilidade entre os países, com a devida excepção do diferendo que opõe a República Árabe Sarauí Democrática (RASD) ao Marrocos, urge o reforço das acções que visam a estabilização dos Estados. Se outrora, o que mais ameaçava os Estados partia de factores externos, diferendos fronteiriços, rivalidades étnicas e questões económicas ligadas à partilha dos recursos, hoje, os piores inimigos dos Estados encontram-se dentro das suas fronteiras. Grande parte dos países africanos que vivem ainda problemas de instabilidade militar se devem a causas internas, relacionadas com grupos armados dentro do próprio Estado, que reivindicam para si a autodeterminação da região, melhor divisão dos recursos económicos, entre outros. Hoje, os conflitos em África radicam mais nas questões pré e pós eleitorais que, nalguns casos, passam de problemas políticos eleitorais para os de natureza militar.
Daí o lema da 33ª Cimeira que insta os africanos a “silenciar as armas” porque, na verdade, o desenvolvimento do continente tem estado refém do cano da espingarda. Alguns grupos, em determinados países africanos, aprenderam e persistem na ideia de que uma das formas para ver os interesses acautelados passa pelo recurso a meios violentos, não poucas vezes fomentados por interesses extra-continentais.
África precisa de paz e estabilidade para materializar todas as aspirações, perspectivadas em programas e agendas, algumas de carácter continental, que visam integrar as economias, promover a liberdade de circulação e livre comércio. Esta ideia esteve subjacente nas intervenções das lideranças africanas, presentes em Addis Abeba, em que Angola esteve representada pelo Presidente João Lourenço que, oportunamente, fez um discurso na mesma direcção.
Os avanços que o continente e as várias regiões fazem, relativamente aos processos de integração, obrigam a que a paz e estabilidade sejam os ingredientes sem os quais de nada vale evoluir para os referidos estádios. Não podemos esperar que haja liberdade de circulação em toda a SADC se países como Moçambique e a RDC, por exemplo, viverem eternamente situações de instabilidade militar.
A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) dificilmente dará passos significativos no processo de integração das economias se países como o Burkina Faso e Mali, apenas para mencionar estes, continuarem sob a mira e acções dos radicais islâmicos.
Como disse o presidente da Comissão Executiva da União Africana, Moussa Faki Mahamat, durante a 36ª Sessão Ordinária do Conselho Executivo, “ ao reflectir sobre o tema do ano 2020, devemos questionar, entre outros, a nossa doutrina sobre segurança e além de causas aparentes, investigar as raízes dos problemas. Em resumo, precisamos de construir a paz de maneira diferente, implementando soluções inovadoras que conferem um certo grau de relatividade às soluções militares, compensando-as com medidas de outras áreas, particularmente o desenvolvimento e tudo em solidariedade”.
Angola congratula-se com a passagem de testemunho do Presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, ao Chefe de Estado sul-africano, Cyril Ramaphosa, na presidência rotativa da organização continental que, como prometeu, referindo-se às expectativas dos africanos, “os nossos povos estão à espera dos frutos do nosso trabalho”.

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