Opinião

A agricultura familiar

A agricultura, sector que mais emprega os angolanos de Cabinda ao Cunene, precisa de continuar a ser encarada como verdadeira base de todo e qualquer processo de diversificação da economia.

É quase impossível falar-se de diversificação da economia minimizando o papel instrumental que aquele sector joga no actual contexto económico e social de Angola. Não vamos ser capazes de efectivar uma verdadeira diversificação da economia se a agricultura não for o ponto de partida, se o sector não receber a atenção e financiamentos que merece. Falamos sobretudo da agricultura familiar que, como tinha revelado o ministro de Estado do Desenvolvimento Económico e Social, Manuel Nunes Júnior, já é responsável por cerca de 70 por cento de toda a produção agrícola do país. Precisamos de alguma “agressividade” no que as políticas públicas viradas para a agricultura dizem respeito, sobretudo se pretendermos erradicar determinados indicadores sociais que colocam Angola numa posição ainda pouco confortável.
“Temos de montar os mecanismos necessários que levem a um aumento rápido e sustentado da produtividade agrícola familiar, o que implica o melhoramento dos serviços de extensão rural, o aumento do crédito agrícola e a montagem de um serviço eficiente de comercialização”, disse há dias o ministro Manuel Nunes Júnior.
E basta olhar para o percentual do PIB agrícola que, ano após ano, não supera ainda os cinco por cento do Orçamento Geral de Estado, quando a União Africana recomenda o dobro daquele percentual. É verdade que pode não ser realístico da parte do Estado engajar 10 por cento do seu orçamento à agricultura, como recomenda a organização continental, mas se os números se aproximarem ao desejável, em função da realidade e necessidade, registando subidas anuais, melhor para Angola.
A agricultura familiar, sem desprimor para a mecanizada e de grande dimensão, tem de ser apoiada pelas instituições do Estado, porque é ela que vai contribuir também para reduzir a pobreza extrema, a fome, o desemprego. É verdade que há opiniões contrárias, que defendem que nesta altura se deve olhar e apostar na agricultura industrial que, por sua vez, servirá de grande parceiro à agro-indústria, realidade que, na verdade, não coloca a agricultura familiar como estorvo. Ambas podem, de forma complementar, ajudar em todo o processo de diversificação da economia e, mais importante, inviabilizar que as famílias rurais que dependem inteiramente da agricultura de subsistência  passem fome. As populações, nas zonas mais recônditas de Angola, que se dedicam à agricultura, como forma quase única de sobrevivência, não podem voltar a experimentar a fase de penúria semelhante a dos períodos de conflito militar, em que tinham de depender da doação de alimentos para sobreviver. Para isso é necessário que haja maior “agressividade” no apoio à agricultura familiar por parte do Estado e dos seus parceiros em todo o país.


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