Opinião

A aposta da diplomacia económica

A aposta da diplomacia económica, uma bandeira do Executivo Angolano para atrair investimento e ajudar a diversificar a economia, constitui um dos passos para corrigir o que está mal com aquele importante instrumento das Relações Externas.

As palavras do ministro das Relações Exteriores, Manuel Augusto, segundo as quais “os ventos de mudança que testemunhamos hoje  obrigam-nos a encarar de forma diferente os desafios e corrigir algumas irregularidades registadas no passado” espelham bem as preocupações do Executivo.
A abertura para o exterior representa para Angola e para as principais tarefas do Estado um desafio urgente e cuja resposta deve ser dada com celeridade que as metas e objectivos  subjacentes requerem. E para o efeito nada melhor que envolver também a diáspora angolana, uma importante comunidade cujo contributo para o PIB representaria uma fatia relevante para Angola.
O anúncio recente do ministro das Relações Exteriores, em função do qual o país vai passar a prestar atenção a diáspora, constitui um repto nos dois sentidos. É preciso que as filhas e os filhos de Angola no exterior saibam interpretar correctamente os desafios imediatos enfrentados pelo país, a possibilidade dos mesmos contribuírem para melhorar o que está bem e corrigir o que está mal.
Internamente, além dos passos encorajadores na direcção da abertura, transparência e prestação de contas, precisamos de continuar com os esforços actuais para sermos dignos das apostas que pretendemos em matéria de diplomacia económica.
A "venda" da imagem de Angola lá fora, contando para o efeito com a diplomacia e toda a diáspora, tem custos para os quais precisamos de estar preparados internamente. Não vamos ser capazes dos desafios que estarão por detrás do turismo se não formos capazes de uma estruturada rede de transportes, infra-estruturas hoteleiras, viárias, entre outras condições.
Não estaremos à altura de pequenos, médios e grandes investimentos se não formos capazes de, ao nível dos serviços, criarmos as condições elementares com um funcionamento célere, justo e equitativo do sistema de justiça, com um funcionalismo público desburocratizado. 
A atracção do investimento estrangeiro implica a existência de um conjunto de variáveis, algumas das quais verdadeiras condições sem as quais não existem outras, para os propósitos desse mesmo investimento. Falamos de água e energia eléctrica, dois activos vitais da economia nacional, cujo fornecimento de Cabinda ao Cunene deve ser diário e sem interrupções. É sobre todas aquelas condições e situações por que passam ainda o nosso país, realidades que exigem soluções imediatas e céleres, que precisamos de reflectir com muita seriedade.
A aposta na diplomacia económica requer contrapartidas internas, algumas já apontadas, que não podemos minimizar sob pena de falta de viabilidade  e sustentabilidade do que pretendemos.
O país está a entrar para uma fase em que do exterior ecoam sinais encorajadores relativamente ao desempenho e opções abraçadas pelo Executivo do Presidente João Lourenço. Trata-se de um período novo que Angola trilha,  que serve como estímulo interno e factor de atracção para o exterior, realidade sobre o qual precisamos todos de estar preparados.
Auguramos que o Executivo seja bem sucedido na linha da frente de "venda" da imagem de Angola, na  promoção do turismo, na exploração de mercados para a exportação dos nossos produtos e no apoio aos angolanos na diáspora.
Mas o desafio para alcançarmos os objectivos perseguidos pela diplomacia angolana, no âmbito do económico, é de todos os angolanos, dentro e fora de Angola.

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