Opinião

A celebração do Dia dos Finados

Celebra-se se hoje o Dia dos Fiéis Defuntos ou Dia dos Finados, data que representa para o mundo cristão em geral e para Angola em particular um momento de lembrança, de respeito e de homenagem merecidos a todos quantos faleceram.

É assim, pelo menos no mundo cristão onde, por consequência da herança judaico-cristã, a consciência sobre a morte não apenas ajuda a lembrar a dimensão efémera da vida humana como recorda o destino comum e o respeito que devemos ter pelo lugar para aonde todos iremos.
Hoje, Angola inteira rende homenagem a todos quantos, por variadas causas, deixaram de fazer parte do mundo dos vivos, continuando a merecer da parte dos viventes lembrança, aprendizagem dos ensinamentos e saudade.
Assim, vai ser natural a onda de procissões que se assiste hoje um pouco por todo o país, com as acções de romaria para os cemitérios, a aquisição de coroas de flores, limpezas das campas, entre outras práticas que traduzem a dimensão cristã do povo angolano num dia como o de hoje.
As famílias e pessoas singulares, de confissão cristã, vão dedicar tempo e espaço para uma observância condigna dos Dia dos Finados.
Neste dia, é importante não apenas lembrar todos quantos deixaram de fazer parte do convívio humano, mas igualmente reflectir sobre práticas funerárias que atentam contra tradições, valores e leis angolanas, sobre o vandalismo nos campos santos, entre outras práticas.
Há práticas funerárias que, além de estranhas à cultura e valores angolanos, constituem demonstração de desrespeito ao finado e família, bem como precisam de ser repensadas pelos proponentes e familiares.
Embora seja amplamente aceite a ideia de que os mortos não devem condicionar os vivos, na verdade, os vivos precisam de fazer prova do respeito por si mesmos, pelo defunto e pelo lugar aonde vão os que partem primeiro. />Logo, o vandalismo, a profanação dos túmulos e a realização de práticas que contrariam o pressuposto do descanso eterno a que os mortos têm direito devem ser denunciados e combatidos.
É preciso que as autoridades continuem a trabalhar para que os nossos cemitérios tenham espaço suficiente para que os finados tenham o merecido digno descanso. Muito se tem dito relativamente a exiguidade de espaço em muitos campos santos, nas grandes cidades como Luanda, que, apesar de construção e alargamento de alguns cemitérios, ainda ficaram aquém da crescente demanda.
Esperamos que haja sensibilidade para dar maior dignidade ao espaço em que se encontram os que mais cedo deixaram de fazer parte do convívio humano e que as populações mudem de comportamento.
Num momento como este, não faz sentido a comercialização de bebidas alcoólicas à porta dos cemitérios, a deslocação para o seu interior de pessoas completamente embriagadas cujo comportamento dentro do cemitério, junto às campas, constitui um acto verdadeiro de profanação.
Embora a observância do Dia dos Finados nos lembra a fragilidade da condição humana perante a morte, urge ponderarmos atitudes e comportamentos que, muitas vezes, acabam por acentuar a vulnerabilidade. Tal como postula o Livro Sagrado, segundo o qual "os vivos sabem que vão morrer, mas os mortos não sabem de coisa alguma", a vida não pára. Seguir em frente, carregando as boas recordações e ensinamentos dos entes falecidos, constitui a atitude acertada porque, como se escreveu atrás, os vivos têm de continuar a viver, independentemente do respeito que todos devemos aos mortos.

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