Opinião

A concertação devolve batas brancas às ruas

Hoje, as ruas das principais cidades, municípios e comunas de Angola voltam a estar engalanadas com o branco das batas dos alunos do ensino público que, regressam às aulas, depois de uma semana de interrupção por motivos de greve.

A sociedade, os encarregados de educação e as instituições do Estado auguram que o presente momento seja, entre outros, o da recuperação do tempo perdido por conta da paralisação.
Desde o anúncio da greve, passando pela sua observância e numa altura em que as negociações continuavam, era crença generalizada de que as partes, o Sinprof e o Ministério da Educação, chegariam ao entendimento por via da concertação. E, na verdade, o processo de diálogo e concertação social entre os agentes do Estado e os seus parceiros requer de ambas as partes predisposição para o binómio cedências e concessões mútuas.
Essa deve ser estratégia de negociação para que as partes cheguem ao entendimento, pelo menos a partir dos pontos convergentes como forma de mitigar eventuais tendências para os extremos.
Ultrapassou-se o mais difícil, que seria uma eventual manutenção do braço de ferro, com a assumpção das responsabilidades de cada uma das partes, para bem de Angola.
Como assumiu o representante do ministério de tutela, ao afirmar que “o Ministério da Educação tem responsabilidades, por isso mostrou predisposição para a solução dos 14 pontos que constavam do caderno reivindicativo”,  há razões para se acreditar na efectivação das reclamações apresentadas, sobretudo porque grande parte delas constam já do programa do Governo.
E é positivo ver, da parte do Sinprof, a satisfação por alcançar um dos objectivos essenciais do conjunto das reivindicações apresentadas, nomeadamente a actualização de categoria dos professores.
Para frente, fica o desafio de todos os intervenientes desempenharem o papel que deles se espera, nomeadamente  o de contribuir para que o processo de ensino e aprendizagem alcance os seus objectivos. No fundo, insistimos, é que aprendamos sempre a retirar as melhores lições quando ocorrem situações que colocam de costas viradas entidade empregadora e representantes dos trabalhadores. A concertação, o diálogo, a razoabilidade nas exigências de ambas as partes, a flexibilidade, entre outros ingredientes, devem ser a marca registada das negociações.

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