Opinião

A dignificação dos profissionais da Saúde

A vida do ser humano depende em larga medida do seu estado de saúde e, na mesma proporção, a existência de um Estado em condições viáveis, contínuas e com o cumprimento normal do seu papel e objectivos. Com pessoas saudáveis aumenta a capacidade produtiva, numa altura em que Angola precisa de contornar a situação económica e financeira menos boa por que passa.

A saúde é a chave para a prossecução de numerosos outros objectivos, razão pela qual o sector de tutela é dos que mais prioridade, requer ao Estado angolano. Simplesmente, eventualmente por mais do que alguma coisa, tudo começa ou passa invariavelmente pela saúde das pessoas que têm de trabalhar para fazer Angola crescer. 

Não temos ainda o rácio esperado e equilibrado entre o número de médicos por habitante, mas atendendo à situação em que nos encontramos não se pode ouvir falar da existência de médicos desempregados no país. 

Ontem, em entrevista ao Jornal de Angola, o médico neurologista, Miguel Bettencourt, considerou,  com justa razão, que é um verdadeiro paradoxo, no actual contexto social e económico, haver médicos desempregados. Urge empregar os médicos que eventualmente se encontrem na situação de desempregados porque, afinal de contas, temos regiões de Angola em que não existe um único médico, realidade que leva as populações a percorrem longas distâncias.  É verdade que a contratação médica depende, também, de factores da natureza económica e financeira, além da existência de estruturas físicas e meios hospitalares onde os mesmos possam laborar. Mas atendendo ao facto do sector da saúde merecer prioridade, por força do papel que tem para a vida das famílias, pessoas e instituições, não é exagerado insistir que, para o efeito, o Estado deve fazer mais. E não há dúvidas de que fazer mais não pressupõe necessariamente com mais recursos financeiros, na medida em que o país não vive a mesma realidade económica e financeira em todas as suas localidades. Em determinadas zonas do país, é possível fazer mais com menos, quando se trata da assistência médica e medicamentosa. 

O recrutamento regular, o envio de médicos para as zonas do país sem um único especialista em clínica geral, bem como a formação de especialistas nas diferentes áreas podem ser uma das saídas para o presente momento. 

Concordamos igualmente com aqueles que defendem que, embora seja bem-vindo o recrutamento contínuo de médicos para suprir o défice, é mais recomendável que gradualmente se parta para a dignificação dos profissionais de Saúde a todos os níveis.

Olhando para a remuneração dos médicos, as condições de trabalho, a sobrecarga, apenas para mencionar estes problemas, percebe-se facilmente que se está ainda aquém da valorização da classe médica. Mas essa realidade, a dignificação com meios salariais e condições de trabalho dos nossos médicos, pode ser feita tal como as experiências encorajadoras assim o demonstram.  

Se os passos animadores forem perenes e na direcção da melhoria do sector da Saúde não há dúvidas de que seremos capazes de superar inúmeras situações que acabam por atrasar o país na sua marcha para se tornar um bom lugar para todos. Precisamos que Angola caminhe para transformar-se num Estado de paz, de igualdade e progresso social, competitivo, moderno e obviamente com um funcionamento pleno, normal e aceitável ao nível da assistência médica e medicamentosa. 

Saudamos a decisão do Ministério da Saúde de absorver  mais de 2500 médicos que se encontravam desempregados, augurando que o recrutamento de profissionais de Saúde atinja os números e rácios universalmente aceites. 


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