Opinião

A entrada de Angola "em órbita"

Hoje, a partir das 19h00, acontece a cerimónia de lançamento do satélite angolano Angosat I, na localidade de Baikonur, no   Cazaquistão, facto que marca a  entrada de Angola "em órbita" e um momento histórico para o país.

A importância deste acto, que os angolanos vão testemunhar por via das câmaras de televisão, radica na estratégia do Executivo de transformar Angola num país moderno no que às comunicações diz  respeito. No sentido mais vasto, as comunicações são ferramentas insubstituíveis de que os Estados modernos não podem dispensar sob pena de perderem a corrida para  a melhoria da vida das populações, para a competitividade e a modernização.
O lançamento do Angosat I não representa para o país um exercício vão ou uma moda dos tempos modernos, mas uma necessidade vital atendendo aos desafios que hoje enfrenta nas telecomunicações. 
O seu lado dispendioso, a julgar pelas avaliações feitas pelo ministro das Telecomunicações e Tecnologias de Informação, não supera o lado vantajoso, completamente acautelado pelas autoridades.
Afinal, não podemos perder de vista que, além de que se contam pelos dedos os países africanos com satélites em órbita,  as vantagens para Angola nos próximos quinze anos são completamente gigantescas. Vale lembrar as palavras do ministro das Telecomunicações e Tecnologias de Informação, José Carvalho da Rocha, quando se referia, há dias, aos custos e benefícios deste importante projecto de telefonia móvel: “As nossas operadoras, todas elas juntas, para poderem prestar o serviço de telefonia móvel e outros, alugam um elemento espacial noutros satélites, que dominam a nossa região. E todas elas juntas gastam em média por mês entre 15 a 20 milhões de dólares”, informou o ministro. Com o lançamento do satélite angolano, cuja capacidade de iluminação se vai estender da África do Sul até à parte meridional da Europa, Angola dá um salto quantitativo e qualitativo na área dos serviços que o satélite vai fornecer. As oportunidades de expansão dos serviços de comunicação via satélite, o acesso à Internet, à rádio e à transmissão televisiva vão conhecer uma fase completamente nova e distinta da que o país tem testemunhado até agora.  Não é exagerado esperar que, entre as grandes contribuições que este projecto do Estado angolano  proporcione, conste  a perspectiva do fim do fenómeno "não há sistema" nas instituições públicas e privadas.
Entre as grandes expectativas da maioria da população, relativamente ao lançamento do Angosat I, conta-se a redução dos preços praticados pelas empresas de telecomunicações. Trata-se de uma aposta que deve ser solucionada pelo Estado e as suas instituições porque está em causa a credibilidade e competitividade de Angola na sub-região em que se encontra.
Com os serviços do Angosat I, a comunicação via satélite, acesso à Internet, à rádio e à transmissão televisiva não podem ficar mais caras em Angola, que vai ter um satélite próprio, em relação a países africanos que não o têm.
Acreditamos nas palavras do ministro José Carvalho da Rocha: "Vamos ter capacidade política de pressionar as empresas a baixarem as tarifas  actuais do mercado."
A entrada de Angola "em órbita" representa um marco importante na História do país,  razão pela qual nos devemos orgulhar desta conquista com reflexos visíveis no desenvolvimento socioeconómico.

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