Opinião

A iniciativa do Banco Central

Hoje, o financiamento bancário tornou-se numa espécie de condição “sine qua non”, quer para aumentar os níveis de consumo, quer fundamentalmente para alavancar o sector produtivo. E atendendo à natureza do nosso sistema financeiro em que as instituições bancárias assumem o monopólio do “negócio do dinheiro”, não há dúvida de que é com a banca que o sector privado deve lidar quando se trata de financiamento. Enquanto não tivermos devidamente estruturadas outras formas de financiamento não bancárias, como as bolsas e mercados  financeiros, o sector privado encara os bancos como potenciais parceiros. 

Nesta perspectiva e numa altura oportuna, o Banco Nacional de Angola (BNA) realiza hoje a Conferência sobre Financiamento ao Sector Privado, um tema relevante para o actual momento da economia angolana. Trata-se de um evento que vai contar com a presença de distintas personalidades, do Executivo, e dos seus parceiros, que vai conhecer vários painéis de debate tais como Experiências sobre a Gestão do Crédito Malparado, Constrangimentos e Soluções de Financiamento ao Sector Privado em Angola à Agricultura e à Agro-indústria, entre outros. Os assuntos a serem levados à conferência representam, em grande medida, alguns dos principais desafios que a banca angolana, hoje, enfrenta, razão pela qual afigura-se oportuna, a iniciativa do Banco Central. Estamos todos na expectativa de bons resultados nesta importante actividade que, atendendo à presença de cabeças pensantes em matéria de banca e finanças, pode transformar-se num verdadeiro “brainstorming” com efeitos multiplicadores para a sociedade. 

Numa altura em que ouvimos muitas queixas da parte de empresários, de empreendedores e de pessoas com iniciativas que carecem da intervenção das instituições bancárias, faz todo o sentido a realização desta conferência. Esperamos que ela sirva para os devidos esclarecimentos por parte deste importante segmento, o sector privado, com o qual o Executivo pretende contar para robustecer a  economia de mercado. Como várias vezes tem alertado o Presidente da República, é com o sector privado, quando devidamente financiado, que toda a sociedade angolana quer contar para que haja aumento do investimento, de empregos, da produtividade e da geração de riqueza. 

Que a iniciativa do Banco Central seja o princípio de um conjunto de passos em que pretendemos também ver envolvidos os bancos comerciais, que desempenham um papel estruturante no financiamento do sector privado. Toda a sociedade angolana está expectante com a necessidade de as instituições bancárias apostarem também no financiamento do tecido produtivo em detrimento de práticas que “engordam” os bancos, mas que não se reflectem no aumento da produtividade.


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