Opinião

A qualidade do ensino e os quadros africanos

Um dos nossos grandes problemas é sem dúvida a falta de qualidade do nosso ensino. Temos de reconhecer que há muito pouca qualidade no nosso ensino, com raras excepções, que só confirmam a regra. Alguém tinha por exemplo entendido que era prioritário formar milhares de jovens no ensino superior, mesmo que os seus diplomas não se traduzissem em competências para resolver problemas da sociedade.

Temos muitas instituições de ensino superior, mas, se se fizer uma avaliação rigorosa da sua qualidade, havemos de descobrir muitas debilidades ao nível da transmissão de conhecimentos aos estudantes. É preciso que se faça essa avaliação, porque não nos interessa apenas a quantidade de instituições de ensino superior, mas, também, a sua qualidade.
Há países no mundo que não hesitam em fechar universidades que não tenham qualidade para transmitir conhecimentos que garantam a formação de bons quadros superiores. Há no nosso ensino superior  professores sem competências para dar aulas. Criaram-se no passado universidades com o foco na obtenção de lucros fabulosos. Criavam-se universidades como se de supermercados se tratasse, sem a preocupação de contratar professores com elevada competência, para dotar os estudantes de conhecimentos capazes de os poder levar a serem absorvidos pelo mercado de trabalho.
É hora de nos preocuparmos com a qualidade dos nossos quadros, para que possamos deixar progressivamente de contratar técnicos estrangeiros, com os quais o Estado angolano gasta muitos milhões de dólares.Mas as nossas universidades formam também bons técnicos. Um dos grandes problemas de África é a fuga de cérebros do continente para outras partes do mundo, onde encontram grandes oportunidades de progressão nas suas carreiras e de ganharem dinheiro suficiente para sustentar as suas famílias, sem grandes dificuldades. É importante que os governos africanos passem a valorizar os técnicos dos seus países, dando-lhes as condições de trabalho e salários dignos, com vista a prestarem serviços nas suas respectivas pátrias.
Importa, também, que os governos de  África olhem com mais atenção para a diáspora, onde há quadros africanos de elevada competência técnica e científica. É preciso que se conheçam as competências dos filhos de África que vivem na diáspora, para se poder tirar partido dos conhecimentos por eles adquiridos e de que o continente precisa. Um número elevado de países africanos tem uma grande riqueza potencial,  mas é necessário que  esta possa  proporcionar bem-estar às suas populações. Os governos do nosso continente devem constituir-se em molas impulsionadoras da transformação dos imensos recursos de que África dispõe em bens e serviços que combatam a pobreza.
E isso só é possível com quadros de elevada qualidade e competência, que devem ser produto das nossas universidades. 


Tempo

você e o jornal de angola

PARTICIPE

Escreva ao Jornal de Angola.

enviar carta

Multimédia