Opinião

A vida nos bairros periféricos

Os bairros periféricos na maioria das cidades angolanas cresceram a uma velocidade considerável, congregam milhares de famílias, fruto do secular êxodo rural, e representam hoje desafios monumentais para a governação provincial, para a administração municipal e comunal.

Nas províncias que abrigaram grande número de habitantes, por razões conhecidas e terminadas no dia quatro de Abril de 2002, e a pressão demográfica foi acompanhada de uma desordem urbanística sem precedentes.
Em Luanda, os bairros periféricos, albergam mais de dois terços da população da capital, vivem problemas e desafios, como os ligados à criminalidade, falta de energia eléctrica da rede pública, água corrente nas canalizações instaladas, lixo, degradação das ruas, passeios, apenas para mencionar estas situações.
Todos os dias ouvimos falar de situações evitáveis em bairros como Kalawenda, Monte Belo, Mulenvos, só citar estas localidades periféricas da cidade de Luanda, que precisam da pronta intervenção de quem de direito.
Tal como as referidas localidades, numerosas outras nas sedes capitais das províncias com elevada pressão demográfica também resultante da situação política e militar que Angola viveu, não precisam de ver esses problemas a persistir como uma espécie de “cancro” da sociedade. Os governos provinciais, as administrações municipais e comunais devem superar os problemas evitáveis e recorrentes. E apenas para exemplificar, não é aceitável que persistam construções erguidas junto das principais linhas de passagem de águas pluviais e, mesmo quando se sabe das graves consequências, lá continuam como se nada estivesse em causa ou em risco. São esses entre outros problemas que precisam de soluções definitivas e permanentes.
E não estamos a falar de situações que envolvam recursos financeiros, homens e meios que, por razões sobejamente conhecidas, os governos, as administrações municipais não tenham na dimensão de tais desafios.
Falamos de situações como as relatadas, ontem, por uma ouvinte da Rádio Luanda, no bairro Mulenvos de Baixo,  que descreveu o que chamou de entraves para a instalação de Postos de Transformação (PT) da rede pública de energia alegadamente por causa de um PT privado, além da actuação impune de criminosos. Parece crescer a percepção de que nos bairros onde existam PTs privados ocorre maior resistência para a instalação da rede pública de energia, uma situação a que repetidas vezes se encontram envolvidos os proprietários dos referidos postos.
A iluminação pública, um activo instrumental para a segurança pública, não pode continuar adiada “ad aeternun”.
Ao lado desta situação, há outra ligada à criminalidade que, nos bairros periféricos, assume permanentemente contornos de um verdadeiro "modus vivendi" da comunidade. Atendendo à dimensão dos problemas que vivem os bairros periféricos das províncias onde se acentuam todos os dias a pressão demográfica, questões de saneamento, os desafios económicos e sociais, urge mudar de estratégia e actuação sob pena de passarmos todos os anos a falar de problemas evitáveis. 

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