Opinião

Angola conta com todos

Angola conta com todos os seus filhos, dentro e fora do país, no exercício do poder político, na oposição ou no activismo cívico, bem como noutras áreas que, combinadas ou não, ajudam o país a crescer.

A ideia de que o país conta com todos deve suplantar interpretações apocalípticas sobre o futuro imediato que se apresenta pela frente, numa altura de contagem decrescente para a entrada em funções do governo e do parlamento novos. A cada página que o povo angolano vira, na sua caminhada para transformar Angola numa sociedade inclusiva, fraterna e boa para todos, devemos pregar sempre a ideia de que o país conta com todos. Essa deve ser a premissa fundamental que, positivamente, dever se apregoada por todos e em todos os cantos do país. E ainda bem que nalgumas províncias essa estratégia, verdadeiro antídoto contra a exclusão, já é ensaiado por entidades governamentais.
“O governo conta com todos, independentemente da postura de cada um, para juntos caminhar rumo ao desenvolvimento sustentável”, disse há dias o governador do Namibe, Rui Pinto de Andrade, numa referência à necessidade de contribuição que todos deverão dar.
A posição assumida a nível da província, na verdade, demonstra o sentido de Estado e a dimensão nacional que a estratégia de contar com todos implica, inclusive para esvaziar os que se socorrem do sectarismo e da divisão para actuar.
O Presidente da República eleito, João Lourenço, numa das intervenções a seguir à divulgação oficial e definitiva dos resultados eleitorais, fez referências explícitas de que como Chefe de Estado e Titular do Poder Executivo pretende contar com todos. E não podia ser diferente, sobretudo a julgar  pela imposição constitucional atribuída e esperada de um Chefe de Estado, que deve “promover e assegurar a unidade nacional, a independência e a integridade territorial do país e representar a nação no plano interno e internacional.”
Independentemente da diversidade que enriquece o mosaico cultural, político, religioso, etc, felizmente, os pontos que unem os angolanos de Cabinda ao Cunene são mais fortes. E são estes atributos do nosso povo que devem ser aprofundados, cada vez mais, para que as nossas diferenças, as nossas discussões e porque não eventuais desentendimentos sirvam para deles aprendermos as melhores lições.
O povo angolano não pode nunca mais viver debaixo do manto da separação por causa de questões políticas, problemas de concepção do país e makas menores trazidos à mesa, apenas, sob o signo do debate pelo debate. É verdade que não esperamos por um país do unanimismo, nem somos apologistas de que todos os angolanos devam pensar e agir da mesma maneira, realidade impossível mesmo à luz da mais rígida ideologia política.
Acreditamos que Angola cresce de forma mais equilibrada e harmoniosa se todos os seus filhos forem capazes de preencher os espaços de intervenção e participação a si reservados, tendo por limite orientador as leis, valores e tradições.
Como variadas vezes foi enaltecido por muitos, precisamos de encorajar o debate para buscarmos os caminhos mais curtos que devem levar o país ao desenvolvimento e ao bem-estar das famílias. Urge vencer o comodismo e a resignação fundamentados na ideia errada segundo a qual “não vale a pena fazer mais nada”, porque, alegadamente, tudo está decidido e feito.
Não é verdade, porque Angola se faz todos os dias e melhor ainda com o contributo de cada um de nós na materialização do programa do partido vencedor das eleições, estimulado pelo exercício da oposição política, do civismo e da cidadania. Devemos todos promover a ideia de que Angola conta com todos.

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