Opinião

As chuvas em Benguela e as medidas preventivas

Repetidas vezes, temos enfatizado que a chuva é obra da natureza e que os seres humanos pouco ou nada podem fazer para contrariar o “calendário pluviométrico”, cuja principal vantagem reside fundamentalmente na sua previsibilidade.

 Sendo mais ou menos previsível, eventualmente até os milímetros das quedas, não faz sentido que continuemos a insistir em práticas que acabam por se reverter desfavoravelmente contra nós próprios. As mortes resultantes das chuvas que se abateram sobre cidades e seus arredores, na província de Benguela, podiam ser evitadas se o rigor, disciplina e responsabilidade acompanhassem alguns procedimentos. Falamos das iniciativas relacionadas com a ocupação dos espaços, sobretudo para a auto-construção que nem sempre respeita normas de segurança.
Atendendo à forma acidentada como se apresentam algumas zonas dos arredores do Lobito, Benguela e Catumbela, não há dúvidas de que as instituições que lidam com o planeamento e o ordenamento do território devem fazer muito mais para prevenir mortes e destruições de bens. Tudo quanto deve ser feito para poupar vidas humanas e bens materiais não pode ser poupado pelas autoridades provinciais, municipais e comunais, sob pena de continuarmos a assistir cenas que enlutaram a província e o país.
As 16 pessoas, entre as quais quatro crianças, que morreram na sequência do forte temporal que se abateu sobre as cidades do Lobito, Catumbela e Benguela, província de Benguela, durante a noite de sábado, devem servir para as devidas reflexões e tomada de medidas preventivas.
Já é tempo de se pensar num projecto de longo prazo para prevenir mortes por causa das chuvas. Não há dúvidas de que as mortes resultam quase sempre de alguma irresponsabilidade, negligência e deixa-andar não apenas das famílias, mas igualmente de algumas entidades com responsabilidades administrativas e governativas. A autoridade do poder de Estado deve impor-se sempre e sobretudo quando o contrário, a ocupação desordenada dos solos e a construção sem autorização, entre outros, acaba por causar fatalidades. Quando as linhas de passagem de água são ocupadas por construções, as autoridades provinciais e locais não podem ficar indiferentes. Quando as famílias ocupam espaços em encostas, montanhas e locais claramente inapropriados para a construção de abrigos, as administrações não podem cruzar os braços. Independentemente da negligência e irresponsabilidade das famílias, as autoridades devem ser as primeiras a darem prova de que o motivo que as move tem a ver, simplesmente, com a defesa da vida humana.

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