Opinião

As empresas e o crédito bancário

Os governantes sabem que a redução da taxa de desemprego tem de estar entre as suas principais prioridades, tendo em conta o elevado número de angolanos, principalmente jovens, que procuram emprego, muitos deles o primeiro posto de trabalho.

A taxa de desemprego em Angola é muito elevada, sendo urgente que se parta para políticas públicas que conduzam à sua redução, de forma considerável. O desemprego pode gerar outros graves problemas sociais, pelo que se justifica que se procurem soluções para que haja no país muitas micro, pequenas e médias empresas.
Os governantes não estão indiferentes à situação de desemprego de muitos jovens, muitos deles formados em diferentes universidades do país e mesmo no exterior. estando, por exemplo, a criar as condições necessárias para que cidadãos tenham acesso a crédito bancário para levar a cabo alguma actividade produtiva.
É importante que este processo de acesso ao crédito bancário se faça com rigor, para não se cometerem os erros do passado, devendo-se assegurar que os dinheiros dos credores (os bancos) venham realmente a servir para a criação de micro, pequenas ou médias empresas ou a alavancar unidades produtivas que foram à falência. É verdade que os bancos comerciais não dão dinheiro sem garantias de que os devedores hão-de devolvê-lo, com juros. Os bancos vivem de dinheiro e não querem crédito mal-parado. É importante que os cidadãos que tiverem iniciativas de natureza empresarial sejam aconselhados por especialistas em negócios, para ajudá-los a conceber projectos produtivos que gerem efectivamente retornos suficientes para pagarem as dívidas que contraem junto de instituições financeiras bancárias.
Vários bancos comerciais estão dispostos a financiar projectos produtivos, mas precisam de ter garantias de que estes vão poder assegurar nos prazos estabelecidos em contratos o pagamento das dívidas. Há entretanto projectos produtivos que não envolvem avultadas somas em dinheiro, pelo que os bancos deviam ser mais flexíveis nestes casos. Não faz sentido exigir-se grandes estudos de viabilidade a pequenos negócios que servem apenas para assegurar o sustento de uma família. Que se encontrem mecanismos de recuperação de crédito sem penalizar pessoas honestas que desejam e sabem realmente fazer pequenos negócios. Sabemos quem no nosso país andou a pedir crédito (e não foi pouco dinheiro) e nada fez com o dinheiro que recebeu de bancos comerciais, com as consequências que todos nós conhecemos e que se repercutiram negativamente no funcionamento de instituições financeiras bancárias, nomeadamente as públicas.
É positivo que haja disponibilidade de bancos comerciais para conceder crédito à produção, o que, a concretizar-se, poderá contribuir para o crescimento da economia. E a economia só cresce com empresas a funcionar. Não podemos mais subestimar as micro, pequenas e médias empresas, pensando, como no passado, que projectos megalómanos é que hão-de resolver os nossos problemas económicos .

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