Opinião

As empresas públicas dentro do novo ciclo

Ninguém tem dúvida de que há muito trabalho por fazer no país para se corrigir o que está mal. Uma das áreas em que é necessário muito trabalho é o sector empresarial público, que se pretende mais eficiente, na perspectiva da obtenção de resultados, que possam contribuir para o aumento da produção diversificada de bens e serviços de qualidade.

É inegável que o sector empresarial público tem ainda um peso considerável na nossa economia, fazendo pois sentido que as autoridades prestem atenção ao seu desempenho, com objectivo de se assegurar uma boa gestão das empresas do Estado, sem prejuízo da sua autonomia administrativa e financeira, necessária para os gestores poderem fazer as opções que garantam, efectivamente, rentabilidade das unidades de produção estatais.
Um ministro disse, recentemente, dirigindo-se a quadros e a responsáveis do seu pelouro, que o país “está a entrar num novo ciclo de maior responsabilização pessoal e colectiva”. Uma responsabilização pessoal e colectiva que será transversal a diversos áreas da vida nacional, incluindo o sector empresarial público.
É importante que os gestores públicos se apercebam que vemos novos tempos e que estejam disponíveis para estarem à altura de acompanhar as mudanças que vão, inevitavelmente, ocorrer. Corrigir o que está mal vai implicar em muitos casos mudanças profundas e os gestores públicos não devem estar à margem de um processo que pretende acabar com práticas negativas que muitos prejuízos causaram ao Estado.
Os gestores públicos devem exercer as suas funções com patriotismo e honestidade, defendendo sempre o interesse público. O gestor de uma empresa do Estado tem a obrigação de estar alinhado com o que o novo Executivo quer realizar ao nível dos programas de crescimento económico.
As empresas públicas têm também de fazer parte dos esforços destinados a fazer com que o sector empresarial do Estado não seja apenas um consumidor de recursos financeiros, mas que seja um segmento capaz de ajudar o país a sair da crise em que se encontra, por via da maximização de lucros.Temos empresas públicas com valor e que devem ser dirigidas por pessoas com visão, com vista a que sejam potenciadas para poderem ter negócios geradores de retornos e não apenas de prejuízos, no final de cada exercício. O novo ciclo de mudanças não se compadece  com a negligência e com a má gestão. Os recursos são cada vez mais escassos, pelo que os gestores públicos devem tudo fazer para que não haja desperdícios.
É nos momentos difíceis que se testa a capacidade de gestão do pouco que temos em termos de recursos dos financeiros. No novo ciclo, e com a crise económica e financeira, pretende-se que não haja mais gastos descontrolados e se priorize o que é realmente essencial. A gestão dos recursos humanos nas empresas públicas, na perspectiva do aumento permanente das suas competências, deve ser uma preocupação dos gestores das empresas públicas. Os quadros nacionais devem ter possibilidade de adquirir conhecimentos em escolas que possam proporcionar saber de alto nível aos nossos técnicos, para podermos resolver os nossos problemas. Os quadros nacionais vão ser fundamentais no processo de mudanças, pelo que não se deve subestimá-los. Um bom gestor deve preocupar-se com a qualificação dos quadros nacionais, até para evitar que se continue a gastar muitos milhões de dólares com a contratação de técnicos estrangeiros. A contratação de quadros estrangeiros deve ser residual, ou seja, só deve ocorrer nos casos em que só técnicos doutros países podem resolver este ou aquele problema.

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