Opinião

Combate persistente

O Estado tem vindo a preparar-se  para enfrentar a sofisticação da criminalidade, apostando  na formação  e na capacidade operacional dos que estão integrados em instituições encarregadas do  combate a ilícitos criminais,  que encerram muita complexidade.

Há crimes que causam  perturbações  e elevados prejuízos à sociedade. Aqueles que agora aconteceram nos municípios da Caála e do Balombo estão nessa categoria. Causam alarme público e geram instabilidade social.  Os autores dos disparos estão identificados  e detidos. São apresentados como fanáticos religiosos. Mas por trás das mãos armadas estão cabeças bem pensantes que andam há anos a preparar o clima propício ao desenrolar de  semelhantes tragédias.
Angola tem forças políticas minoritárias, que todas juntas apenas somaram 27 por cento dos votos nas últimas eleições, que apostam tudo no troar das armas. Dirigentes partidárias põem em causa a autoridade do Estado e agem como se não exista uma maioria qualificada na Assembleia Nacional, que conseguiu 71,8 por cento dos votos e eleger 175 deputados. Como nunca reconhecem a derrota eleitoral, também não reconhecem a maioria. Para eles, o poder político não foi legitimado pelo voto popular em eleições livres e justas. É esta mensagem e este exemplo que passam aos seus seguidores, frustrados porque perdem eleições atrás de eleições e nunca mais chega o paraíso que todos os partidos da Oposição, sem excepção, prometem aos eleitores.
A demagogia barata e o populismo substituem a maturidade política, a firmeza ideológica, a ética e os princípios na disputa eleitoral. A direcção da UNITA trata os seus adversários que ganharam as eleições, como marginais. Está permanentemente a insultar e caluniar o Chefe de Estado. Desvaloriza completamente os actos eleitorais, para depois convocar os seus seguidores para a rua, onde pensa conseguir pelo menos uma fatia do poder.
Ultimamente, a direcção da UNITA decidiu que tem legitimidade e poder para decidir quem em Angola é tolerante e quem é intolerante. De tanto repetir que os militantes e votantes do MPLA são intolerantes, Samakuva e seus correligionários tomaram como ponto assente que isso é real e verdadeiro. Ficaram com as portas ainda mais escancaradas à intolerância que sempre praticaram, mesmo quando estavam a dar o último suspiro de vida. Os disparos contra os agentes da Polícia Nacional e que custaram a vida a oito agentes da ordem pública, são seguramente da responsabilidade dos que criaram o clima propício à falta de respeito pelas instituições democráticas e sempre puseram em causa a autoridade do Estado.
Bem pode o delegado da UNITA no Huambo dizer que o seu partido não está pela frente nem por trás dos crimes hediondos que vitimaram oito agentes da Polícia Nacional. A realidade desmente-o completamente. Mal foi aprovada no Parlamento a Lei do Registo Eleitoral Oficioso, logo o presidente do Grupo Parlamentar da UNITA, Raul Danda, deu uma conferência de imprensa na qual instigou a manifestações populares contra a aprovação. Uma maioria qualificada de 175 deputados aprova e uma minoria absoluta quer fazer o poder cair na rua.
Os que dispararam contra os agentes da Polícia Nacional também não reconhecem o Estado, as instituições democráticas, as maiorias políticas. No seu fanatismo assassino, apenas se ouvem a eles e só eles contam. Não vemos nenhuma diferença entre estes criminosos e os políticos que insultam o Chefe de Estado, não reconhecem a maioria parlamentar, desvalorizam e põem em causa o processo eleitoral. Há muitas maneiras de disparar e de matar.
O fanatismo político e religioso têm a mesma origem. As suas consequências são idênticas. Basta olhar para trás e ver o cortejo de assassinatos e destruições cometidos por Savimbi, num percurso que incidiu sobretudo na falta de respeito pela autoridade do Estado, pelas instituições democráticas, pelas eleições livres e justas, assim declaradas pela ONU e pela comunidade internacional. Quando hoje, deputados e dirigentes da UNITA dizem que ele fundou a democracia em Angola, estão a instigar os angolanos a seguir os seus exemplos de banditismo político, o seu inacabável cortejo de crimes. Face a tais declarações, qualquer fanático está disposto a puxar o gatilho, como aconteceu no Longonjo e no Balombo. Estão a imitar o monstro e a seguir os que dirigem um partido com representação parlamentar,  ainda que não tenha passado dos 18 por cento do total de votos. É altura de levar a sério o fanatismo político e religioso.

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