Opinião

Condução, sinistralidade e inspecção

Um dos desafios que a Direcção Nacional de Viação e Transição, entre outros objectivos, passa necessariamente pela redução da sinistralidade rodoviária em todo o país, um fenómeno cuja fatalidade associada tem sido apenas ultrapassada pela malária.

A inauguração, há dias, do centro para a inspecção regular de viaturas para aferir o estado técnico dos automóveis em circulação, uma medida que, ao lado de outras, poderá contribuir para os fins que se pretendem, constitui um passo.
O mau estado técnico das viaturas, seguramente, ao lado de procedimentos como o excesso de velocidade, a não cedência de prioridade, a condução sob efeitos de álcool, são factores que contribuem para a fatalidade nas estradas, mas obviamente que não são os únicos contribuintes da sinistralidade rodoviária.
Acreditamos que a inspecção regular de viaturas vai ajudar a melhorar, de alguma forma, a circulação rodoviária, independentemente do sempre presente factor humano. Afinal, centenas de viaturas, particularmente aquelas em mau estado técnico, circulam com problemas nos sistemas vitais, nomeadamente travões, direcção, suspensão, que condicionam significativamente a condução. E por isso encontram-se, muitas vezes, associados aos acidentes que enlutam famílias, transformam em inválidos centenas de pessoas e oneram o Estado em muitos aspectos, desde à assistência hospitalar, a segurança social e outros.
Não é exagerado esperar que a Polícia reguladora do trânsito automóvel, à luz das leis, intensifique o processo de vistoria das viaturas e materialize as sanções previstas para os casos que envolvam violações ao Código de Estrada. Apenas dessa forma se poderá responsabilizar os automobilistas, não necessariamente no sentido da penalização em si, mas para que estes sejam mais exigentes consigo mesmos no uso das viaturas em condições seguras. Afinal, até os manuais dos carros trazem, regra geral, importante e exaustiva informação, algumas em jeito de advertência, para o conhecimento dos automobilistas antes de se fazerem à estrada.
É verdade que para reduzir a sinistralidade rodoviária concorrem outros factores que transcendem os automobilistas, as viaturas e a condução em si, que precisam de ser também resolvidos por quem de direito.
Embora se dê muita ênfase no excesso de velocidade, na ausência de cedência de prioridade e no mau estado técnico das viaturas, não há dúvidas de que outras variáveis intervêm nos acidentes de viação.
Se olharmos para o estado das nossas estradas, na ausência de sinais verticais e horizontais de trânsito, bem como na inexistente iluminação pública em muitas vias, facilmente chegaremos à conclusão de que temos muito trabalho pela frente. As soluções para reduzir a sinistralidade rodoviária envolvem uma transversalidade, razão pela qual faz pouco sentido enfatizar-se algumas variáveis e deixar de fazer menção a outras. Um diagnóstico sério sobre a sinistralidade rodoviária, além de apontar a vários factores, vai recomendar a adopção de medidas transversais para bem da condução segura a todos os níveis.

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