Opinião

Criminalidade e segurança

A perspectiva de um carro furtado ou roubado circular livremente, durante horas e dias, sem que haja informação imediata da parte do proprietário junto da Polícia Nacional e, desta última, acção imediata para localização, constitui um problema grave de segurança, ordem e tranquilidade públicas.

Sabemos todos que, regularmente, a Polícia Nacional desdobra os seus agentes reguladores pelas estradas da cidade de Luanda, realidade que devia servir também para inviabilizar que viaturas roubadas circulem normal e livremente.
O tiroteio mortal, no interior da viatura roubada, modelo vulgarmente designado de "quadradinho", que fazia o trajecto Benfica-Cacuaco, em que pereceu o intendente da Polícia Nacional, que foi a enterrar sábado passado, deve servir para as devidas reflexões. Não é aceitável que um carro roubado circule sem que a Polícia Nacional, cujos agentes reguladores são desdobrados com frequência nas vias de Luanda, seja capaz de localizar e imobilizar, nem para que o efeito deva ser obrigada a interpelar todos os carros de marca e modelo em causa. Tão logo seja do conhecimento da Polícia, o anúncio de furto ou roubo de uma viatura, partindo do princípio de que nenhum proprietário ficará à espera dias ou semanas para fazer a participação, não faz sentido que a reacção da Polícia Nacional se faça esperar. Insistimos que não deve passar a ser normal a ideia de que quem rouba ou furta um carro pode circular à vontade e até fazer serviço de táxi com a viatura. A actuação da Polícia deve ser imediata para evitar que assistamos casos como o sucedido na semana passada e, mais importante, para que os meliantes deixem de pensar que podem furtar ou roubar uma viatura para, com ela, circularem livremente sem serem interpelados.
Não podemos perder de vista que a cidade de Luanda caminha para transformar-se numa verdadeira megacidade, numa altura em que ronda os oito milhões de habitantes. Neste universo, segundo alguns dados, apenas existem na cidade e periferia, em circulação, dois milhões de carros, realidade que permite concluir que cerca de cinco milhões de pessoas circulam em táxis informais, designados por candongueiros, grande parte deles sem nenhum tipo de licenciamento. As populações, usuárias dos meios de transportes informais, não podem fazer-se às paragens de táxi com o pensamento e pressentimento de que podem acabar por entrar numa viatura furtada ou roubada, com a possibilidade delas mesmas serem também roubadas.
Com a massa demográfica a circular em viaturas, nem sempre licenciadas para fazer táxi, com rotas móveis e os níveis de criminalidade, ainda que controlados, como defende a Polícia Nacional, urge mobilizar o mecanismo de reacção rápida da Polícia Nacional. A Polícia Nacional tem, entre as suas divisões especializadas, sistema de intervenção rápida, que, em nossa modéstia opinião, deve ser desdobrada para fazer face aos casos que requerem emergência.
O caso que vitimou o intendente Barroso, que abalou a sociedade luandense, deve servir para as devidas reflexões e tomada de medidas para se evitar que a ordem, segurança e tranquilidade públicas sejam reféns de meliantes, que actuam livremente, à luz do dia ou de noite, sem que sejam travados e imobilizados. Obviamente com a colaboração das populações, que devem ser as primeiras a denunciar casos de Polícia em que a integridade física, a vida das pessoas e os bens estejam em jogo.
Precisamos de continuar a redobrar a vigilância e a denunciar com a urgência que requerem os casos de viaturas furtadas ou roubadas que circulam livremente, dando a ideia errada que se trata de uma situação normal, aceitável e frequente nas estradas. Se fôr, o que não acreditamos, urge erradicar imediatamente essa realidade, própria de lugares em que não exista lei e entidades que a materializem.
Criminalidade e segurança nas vias não podem caminhar de mãos dadas.

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