Opinião

Dia Mundial da Água

Celebra-se hoje, em todo o mundo, o Dia Mundial da Água, uma data institucionalizada pela ONU, há 26 anos, e que as pessoas, instituições e Governos aproveitam para reflectir sobre este insubstituível bem natural.

Embora o mundo não viva  uma crise de escassez de água em termos absolutos, não faltam estudos e avaliações que apontam para cenários menos bons relativamente à existência de água no planeta. E, na verdade, existem regiões em que a escassez de água mudou completamente a perspectiva de vida económica e social das populações, bem como noutras localidades em que a falta do líquido precioso tende a servir como "casus belli". Muitos estudiosos começam a associar a possibilidade, cada vez mais provável, da escassez de água gerar motivos para guerra entre os Estados e entes infra-estaduais.
A actividade humana, responsável hoje pela poluição de grande parte das fontes de água, nomeadamente rios, lagos e represas, não ajuda na garantia às gerações actuais e vindouras de um meio em que o líquido precioso em condições de consumo não seja um privilégio de poucos.
As alterações climáticas, uma realidade que se acentua com grande impacto nos países em vias de desenvolvimento, constitui outro grande empecilho e ameaça às fontes naturais de água.
Em África, sobretudo na região subsariana, onde abundam bacias hidrográficas, os desafios para a manutenção e gestão equilibrada das principais fontes acentuam-se agora e não quando os níveis de escassez aumentam. Diz-se que o uso racional, a economia da água nas actividades quotidianas e a sua reutilização, devem suceder quando há abundância e não o contrário.
Em Angola, com a criação do Plano Nacional da Água (PNA), que define, entre outras, as linhas de orientação e estratégias relativas à gestão dos recursos hídricos, o país deu um passo importante na direcção de uma gestão mais correcta da água.
É verdade que estamos ainda longe de um aproveitamento de água, por exemplo, para fins agrícolas e industriais que correspondam ao potencial hídrico do país e às necessidades do país. Mas não há dúvidas de que atendendo a uma série de factores tais como o crescimento da população a um ritmo que pressiona, directa ou indirectamente, os níveis de produção e consumo de água, precisamos de fortalecer as variáveis que asseguram o consumo regrado do precioso líquido.
Urge corrigir distorções que ocorrem quer pelas dificuldades no acesso, quer pelo sistema de regadio tradicional, fonte de desperdício, quer pela ausência de mecanismos de reciclagem e reutilização, entre outras formas pelas quais se continuam a perder milhões de metros cúbicos de água. 
Num dia como hoje, importa fazer reflexões em torno da gestão da água a partir das comunidades em que, não raras vezes,  é frequente o desperdício do precioso líquido por causa de vários factores. É preciso ganhar consciência de que esse bem líquido não é necessariamente um recurso inesgotável, razão pela qual independentemente da quantidade de bacias hidrográficas que tenhamos, o consumo racional é vital. Hoje, aceleram-se as várias formas de poluição das águas dos rios, lagoas, lagos e cacimbas, facto que esperamos ver alterado com a materialização do Plano Nacional da Água.

Tempo

você e o jornal de angola

PARTICIPE

Escreva ao Jornal de Angola.

enviar carta

Multimédia