Opinião

É vital o acompanhamento familiar

O índice elevado de delinquência juvenil no país, que constitui uma preocupação das autoridades, resulta, sobretudo, do actual estado de crise das famílias, admitiu o criminalista André dos Santos. É o ponto de vista de um especialista, recentemente entrevistado pelo Jornal de Angola e sobre o qual vale sempre a pena prestar alguma atenção. Vivemos tempos em que a crise de valores afectou profundamente muitas famílias, levando à desestruturação e inversão de papéis, sendo a criminalidade uma espécie de ponta de um grande Iceberg.

Na verdade, olhando para a tipologia da criminalidade que grassa em muitas comunidades, sobretudo as urbanas e peri-urbanas, não parece exagerado concluir o fracasso do papel familiar em muitos aspectos.
“A família não tem desempenhado o seu papel fundamental que é acompanhar os filhos”, disse o mencionado especialista, um facto que, em muitos casos, explica a deriva comportamental desviante em que incorrem muitos dependentes.
Não é sem razão que numerosos manuais e especialistas atribuem a criminalidade infanto-juvenil ao prolongamento de comportamentos erráticos dos mais velhos, razão pela qual parece sensato apontar a necessidade de correcção dos primeiros para servirem de modelo aos primeiros.
Ao falar-se do papel da família, não se pretende isentar a responsabilidade que o Estado deve assumir, por força das obrigações constitucionais, no âmbito da política juvenil e decorrente de vários pressupostos. Afinal, a própria preservação do Estado e a sua continuidade depende também do que os jovens, educados, formados e moldados para enfrentar os desafios da vida, podem fazer. Para isso, importa que as políticas públicas viradas para este segmento da população, o grosso da pirâmide demográfica, sirvam efectivamente e também para retirá-los dos caminhos não recomendáveis.
Angola, como de resto a maioria dos países africanos, é bafejada pela sorte de possuir uma população maioritariamente jovem que, contrariamente a ideia de suposta "bomba relógio", deve ser vista fundamentalmente como principal aliada do Estado na materialização das suas principais tarefas.
Independentemente das dificuldades por que passam as famílias, temos insistido na ideia de que a criminalidade não pode ser encarada apenas como o reverso da moeda em que do lado oposto esteja tudo de bom como estudo, oportunidades, emprego. E que, ausentes aqueles pressupostos, a criminalidade torna-se uma inevitabilidade.
Se as famílias forem exigentes consigo mesmas, no acompanhamento dos membros menores e dependentes, mesmo com as dificuldades com as quais se convive, não há dúvidas de que, assim, se encurta o espaço de manobra para condutas desviantes.

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