Opinião

Ébola pode ser um problema global

Os grandes problemas começam, na maioria das vezes, com pequenas situações, não raro, consideradas passíveis de serem solucionadas sem grandes esforços e, outras, encaradas como dificuldades que passam por si. O vírus do ébola, que grassa pelas províncias do centro e leste da República Democrática do Congo (RDC), relativamente a toda a sub-região, enquadra-se exactamente na analogia feita acima.

Sem colocar em causa a forma como as autoridades sanitárias do país vizinho vêm lidando com a enfermidade desde há algum tempo, na verdade, uma situação também questionável, a maneira como a doença começa a tornar-se problemática é hoje uma realidade. Além de ter provocado perto de dois mil mortos, este ano, na RDC, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), todos os dias são registados 12 novos casos, uma tendência que, a manter-se, provocará 360 mensais e mais de 4300 anuais. Trata-se de um quadro preocupante, razão pela qual, depois da reunião do Comité de Emergência para se avaliar a evolução da epidemia do ébola, o director-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, declarou na quarta-feira o estado de emergência internacional na RDC.
A avaliação da OMS indica que o risco de a epidemia continuar a espalhar-se na RDC e na região “permanece muito alto”, uma realidade para a qual os países vizinhos deverão tomar as medidas consentâneas com o problema.
Numa altura como esta, é recomendável que a comunidade internacional, as organizações internacionais e regionais se engajem no sentido de ajudarem as autoridades sanitárias da RDC a enfrentarem, com maior sucesso, os desafios causados pelo vírus do ébola.
Como disse o director da OMS, e contrariando visões mais pessimistas, “é altura de a comunidade internacional se solidarizar com o povo da RDC, não de impor medidas punitivas e restrições contraproducentes que só servirão para isolar”. Na verdade, é bom que os países vizinhos cooperem mais com a RDC, inclusive para, com muita antecedência, se familiarizarem com os desafios iniciais e mais complexos que aquele país viveu e vive ao lidar com a enfermidade.
As autoridades angolanas deverão continuar a fazer o seu trabalho porque, como disse a ministra da Saúde, “temos um intenso movimento de pessoas em ambos os lados da fronteira com a RDC, tanto na fronteira da província do Zaire como noutras de Angola com aquele país, pelo que estamos a acompanhar todo esse processo”.
Sendo um problema com dimensão regional e com potencial global, embora ainda circunscrito à RDC, não há dúvidas de que toda a comunidade internacional deverá engajar-se de forma construtiva, mas com a celeridade que os desafios do vírus recomendam, a ajudar aquele país a ultrapassar o estado de emergência internacional.

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