Opinião

Há mais vida além das festas

Os primeiros balanços da Polícia Nacional, relativos às últimas 72 horas, apontam para números superiores ao período igual do ano passado, facto que obriga a muita reflexão. Segundo o Posto de Comando Principal de Segurança da Quadra Festiva, comparativamente ao ano passado, este ano houve mais acidentes, mais mortes e mais feridos, com ocorrências notáveis em Luanda, Huíla e Huambo. O número de crimes aumentou no Natal, ainda de acordo com a  entidade, realidade  que contraria previsões relacionadas com o momento de aparente contenção nas despesas, a consequente diminuição da movimentação de pessoas e bens.

Nada justifica que os momentos de celebração e festa se transformem também em circunstâncias de dor e luto para as famílias. Os apelos para a contenção e equilíbrio durante este período que se vai estender até aos próximos quatro dias que restam do ano que se apressa a dar lugar a 2018 são repetitivos e permanentes. É preciso que as famílias, as instituições e pessoas singulares se dignem prestar atenção e dar maior colaboração aos órgãos competentes na prevenção da criminalidade, no combate à especulação e ao açambarcamento e outras práticas que atentam contra a integridade física e património. "Há mais vida além da quadra festiva", este passou a ser um dos "slogans“ usados pela Polícia Nacional para referir-se à necessidade de as pessoas encararem o  momento como uma fase que não precisa de transcender a vida, a estabilidade, a ordem e a segurança.
Estas últimas variáveis devem estar sempre acima da necessidade, normal e natural, do ser humano festejar determinadas  celebrações, independentemente de fazerem já parte do "ADN festivo" do angolano.
Festejar sob o manto da dor e luto não podem ser  uma consequência normal e natural dos momentos que marcam a quadra festiva em Angola. Podemos inverter este quadro sobretudo se formos capazes de acatar os conselhos úteis divulgados por entidades como a Polícia Nacional, os meios de comunicação, as igrejas, as associações profissionais.
Mas tem de ser a partir de casa que as orientações, as recomendações e o acompanhamento dos membros do agregado com menor idade devem servir como uma espécie de cartilha para a vida. É de grande valia a expressão bíblica segundo a qual "as más associações estragam hábitos úteis", um ensinamento que devia levar os pais, encarregados de educação e tutores a redobrarem a atenção, vigilância e acompanhamento dos seus dependentes.
Numa altura em que nos encontramos a poucos dias da passagem do ano, nunca é demais esperar que os números no que diz respeito aos excessos nas estradas, nas comunidades e no interior dos agregados familiares diminuam. Para isso urge continuar a sensibilizar as famílias para que exerçam o papel esperado junto dos seus membros para que observem procedimentos normais de segurança, ordem, tranquilidade a toda a hora.
Se a festa que acompanhou o período de Natal teve os números que superaram os do ano passado, com mais mortes, feridos e destruição de bens, vamos ainda a tempo de ponderar o período de passagem do ano. A partir da comunidade, festejando ou não, podemos fazer toda a diferença com actos de contenção, moderação e equilíbrio. Insistimos em que não faz qualquer sentido que os momentos de celebração e festa sejam necessariamente acompanhados de dor, luto e destruição de bens públicos.  Que as mortes, ferimentos e destruição de bens do final de semana passado, envolvendo o Natal, sirvam para a  devida  reflexão porque há mais vida além das festas.

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