Opinião

Haja educação!

Foi necessário evidenciar a crise para que se começasse a falar da urgente intervenção nos sectores da Saúde e Educação.


A população de Angola é de 25,7 milhões de habitantes, dos quais 47,2 por cento têm até 14 anos. 
Nos últimos anos os gastos na Educação foram sempre minimizados no OGE, e a própria agenda mediática dos problemas do sector passaram a ser subalternizados, num quadro de outras prioridades de discutível interesse na sociedade angolana.
A alteração da agenda por parte da bancada do MPLA em dar um maior contributo no OGE à Educação e à Saúde permite repor  a necessidade urgente na optimização de recursos, para uma área em que é absolutamente indispensável retomarem-se caminhos antigos, que valeram um prémio da UNESCO a Angola no final dos anos 1970, pelo esforço desenvolvido pelo Governo de então na alfabetização de adultos e escolarização alargada e obrigatória a todas as crianças.
Se por vezes a legislação na Assembleia Nacional é produtiva, o que se tem assistido não poucas vezes é que a sua materialização é atirada para as calendas gregas, e com o tempo as pessoas esquecem que houve trabalho legislativo e que acaba desperdiçado!
Saúda-se a rapidez com que o Presidente da República João Lourenço exigiu aos Ministérios das Finanças e Educação que agilizassem processos para que a contratação de vinte mil novos professores nacionais seja efectivada a curto prazo, de forma a que Angola possa ter uma cobertura razoável de estabelecimentos de ensino, que cumpram um desígnio importante para a elevação cultural e cívica das crianças, que trazem ao futuro do país novos conhecimentos e melhoradas práticas profissionais.
Constatou-se que Angola não dispõe de professores para cobrir metade das necessidades, pelo que se tem de recorrer à cooperação. E durante a recente visita do ministro cabo-verdiano dos Negócios Estrangeiros  a Luanda, Cabo Verde "ofereceu-se" para ajudar a colmatar a falta de professores  angolanos e trabalhar conjuntamente para a sua qualificação e a melhoria  do ensino de uma forma geral.
Logo certas forças políticas, e alguma corrente de opinião resolveu zurzir na proposta de Cabo Verde que deve ser estudada à semelhança do que acontece com outras que existem em vários domínios, de diversos países,  mas no caso concreto no sector da Educação.
Obviamente que este discurso, já recorrente noutras ocasiões e com protagonistas diferentes tem uma carga xenófoba, misturada com uma demagogia populista vazia de propostas e ideologicamente com contornos perigosos na construção de um Estado solidário e onde as diferenças entre as pessoas não sejam tão aviltantes.
Falou-se que viriam 200 mil cabo-verdianos, uma verdadeira anedota porque pouco mais que isso é a população adulta da República a viver no arquipélago. Isto é revelador da falta de pudor de quem lança estas atoardas, mas o que ainda é mais confrangedor é haver gente que difunde este tipo de afirmações, porque acreditou na versão que lhe é dada sem sequer avaliar esta idiotice.
Cabo Verde era à data da independência, um dos territórios africanos onde o analfabetismo era mais baixo, e desde  então tem havido sucessivos esforços em desenvolver políticas de Educação sustentáveis para a capacitação de novas competências num contexto de afirmação cultural e económica de um país de limitados recursos, mas extraordinariamente solidário e progressivo.
No âmbito dos territórios da CPLP é um dos que tem disponibilidade para nos ajudar, nesta fase difícil do nosso país e não devemos continuar a alimentar posições passadistas de quem nunca conseguiu debitar uma ideia que pudesse ajudar ao desenvolvimento.
Os angolanos sabem receber quem quer ajudar a contribuir para o futuro do país. Já o faz há muitas décadas com diferentes povos e em várias áreas, por isso as afirmações que vêm sendo produzidas tem objectivos bem claros de lançar uma forte suspeita sobre os estrangeiros, indispensáveis à recuperação económica e social de Angola.
Esta fase exige muita cautela porque o racismo e a xenofobia são gérmens de períodos pouco saudáveis para a democracia dos países e geradores de irrupções sociais com finais devastadores a todos os níveis.
Estar pela Educação é fazer estar no futuro do país!

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