Opinião

O activista cívico, a luta contra a corrupção e a Constituição de Angola

Muitos homens e mulheres lutaram e lutam no mundo pela justiça e pela dignidade da pessoa humana. Esses homens e mulheres que ousaram e ousam opor-se às injustiças não temem os maus tratos de autoridades repressivas e não raras vezes pagam com a vida a sua opção pela defesa de milhões de pessoas.

A coragem daqueles que, mesmo sabendo que correm riscos de diversa natureza, denunciam acções praticadas por governantes que enveredam por actos lesivos dos interesses do Estado, para satisfazer interesses particulares, é merecedora do nosso reconhecimento.
O Presidente da República, João Lourenço, destacou na cerimónia de homenagem a angolanos e estrangeiros que se destacaram em diversas áreas, o papel desempenhado pelo activista cívico Rafael Marques, que, de forma persistente, denunciava actos de corrupção praticados por governantes que não estavam interessados em combater práticas que prejudicavam toda uma Nação, preferindo atirar para as cadeias pessoas que eram verdadeiramente patriotas e que se opunham à injustiça e ao enriquecimento ilícito.
Rafael Marques, também jornalista, é daquelas pessoas que em Angola foi vítima de maus tratos, por exercer a liberdade de imprensa, consagrada na Constituição de Angola, mas desrespeitada por quem detinha o poder político. Rafael Marques perdeu o medo para enfrentar pessoas poderosas que se diziam democratas, tendo preferido sofrer em prisões a desistir da sua causa. Rafael Marques estava convicto de que a sua acção como activista cívico e jornalista poderia contribuir para termos um país melhor, em que se respeitassem os direitos e liberdades fundamentais.
Vivíamos num país com uma Constituição que proclamava o Estado democrático de direito, mas em que existiam governantes que eram extremamente intolerantes e que reprimiam ferozmente as pessoas que tinham opiniões diferentes das suas.
Felizmente a maldade não é eterna, e pudemos ouvir ontem, com muita satisfação, as palavras do Presidente João Lourenço, quando se referia aos feitos de Rafael Marques, alguém que, segundo o Presidente da República, “desde muito cedo teve a coragem de combater a corrupção crescente que acabou por se enraizar na nossa sociedade” e que “abraçou a bandeira da luta contra o saque desenfreado do erário(...)”.
O Estado, ao homenagear Rafael Marques, que ganhou prémios internacionais pela sua entrega à defesa dos direitos humanos, pretendeu fazer justiça a um homem que era incansável na protecção dos mais fracos e na defesa do interesse público. Nós, jornalistas angolanos, devemo-nos sentir orgulhosos de ter um colega da dimensão de Rafael Marques e devemos na nossa prática diária, por via da imprensa, lutar permanentemente para que os direitos e liberdades fundamentais não sejam ameaçadas por quem quer que seja. A liberdade de imprensa é considerada o garante de outras liberdades fundamentais .
Importa recordar o que diz o artigo 40º, número 1, da nossa Constituição: “Todos têm o direito de exprimir, divulgar e compartilhar livremente os seus pensamentos, as suas ideias e opiniões, pela palavra, imagem ou qualquer outro meio, bem como o direito e a liberdade de informar, de se informar e de ser informado, sem impedimentos nem discriminações”.

Tempo

você e o jornal de angola

PARTICIPE

Escreva ao Jornal de Angola.

enviar carta

Multimédia