Opinião

O alerta dos empresários

O desempenho das economias, quando se mostram fortes e competitivas, se deve muito à existência de pequenas e médias empresas, que acabam por empregar grande número de pessoas e sustentar milhares de famílias.

Atendendo à dimensão e ao volume de negócios, são também essas empresas que mais sofrem com os abalos decorrentes das crises económicas, financeiras e sanitárias, como a actual devida à Covid-19. Logo, torna-se óbvia a necessidade de protecção por parte das instituições do Estado, no quadro de uma estratégia que salvaguarde os postos de trabalho e a estabilidade social.
O alerta lançado, há dias, pela União dos Pequenos e Médios Empresários de Angola UPME), sobre a ameaça de perda de mais de quatro mil postos de trabalho, entre os seus associados, constitui um desafio para todos. Trata-se de um problema que carece do contributo de todos os intervenientes, com interesse directo ou indirecto, em vez do procedimento recorrente e simples de se lançar, sempre, a bola do lado do Executivo.
É verdade que, em grande medida, cabe àquele último gizar estratégias, implementar políticas públicas e iniciativas que revirtam na melhoria do ambiente empresarial e laboral no país. É verdade que nesta altura, em que grande parte das empresas, quer do sector público, quer do sector privado, se aguenta com muitas dificuldades, todos os caminhos resvalam para as instituições do Estado. É natural que assim seja, mas, tal como souberam fazer algumas associações, é sempre preferível que apresentem também soluções e propostas para a saída da situação em que se encontram. Mais do que apontar os problemas, em vez de simplesmente indicarem a situação difícil em que se encontram, é bom que se releve sobretudo o que todos podemos fazer para a busca de resultados que satisfaçam todas as partes. Não basta solicitar ao Estado o que este pode fazer pelas pequenas e médias empresas, é importante que digam também em que é que podem ajudar o Estado para o bem de todos.
Quando a presidente da UPME, Beatriz Franck, se propõe, em nome da organização que lidera, a “auxiliar o Executivo na luta contra a pobreza, por intermédio da diversificação da economia”, é útil, oportuno e encorajador. Sabemos que do encontro, realizado anteontem, foram apresentadas propostas interessantes por parte dos membros e representantes do grupo associativo, numa altura em que, ao que se sabe, há pretensão de fazer chegar as contribuições ao Presidente da República.
Acreditamos que as inquietações da UPME, como das demais associações, quando devidamente fundamentadas e feitas chegar oportunamente às instituições do Estado, merecem sempre a devida apreciação.
Na verdade e pelas razões já avançadas, o Estado, e em particular o Executivo, é a entidade mais interessada na sobrevivência das pequenas e médias empresas porque o crescimento e solidificação da economia angolana passa também por essa via. Obviamente, a ninguém interessa que se percam mais de quatro mil empregos directos que, calculadamente, envolvem mais de trinta mil pessoas como parte dos agregados familiares representados por aqueles empregados.

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