Opinião

O ano lectivo 2020

O país assistiu, ontem, a abertura oficial do ano lectivo 2020, um acto tradicionalmente esperado todos os anos, em todo o país, e que marca o regresso às aulas, numa altura em que entre os principais desafios constam o défice de cobertura escolar.

Apenas para se ter uma ideia da situação concreta da província do Bié, onde se procedeu à abertura oficial do Ano Lectivo 2020, segundo dados locais, persistem cerca de 100 mil crianças fora do sistema de ensino, um valor altíssimo.
O ensino é dos pressupostos fundamentais para a modernização de Angola, para promover a mobilidade social e assegurar o desenvolvimento que pretendemos.
Apenas assim seremos capazes da construção de uma sociedade livre, justa, democrática, solidária, de paz, igualdade e progresso social, como impõe a Constituição da República.
A aposta do Estado na Educação tem sido feito à medida das possibilidades, recursos e não há dúvidas de que gostaríamos todos que tais variáveis aumentassem consideravelmente a cada ano.
Embora o sector da Educação viva, ainda, carências, nomeadamente o número de salas de aulas, dificuldade de materiais didácticos nas escolas, o número de professores em todo o país para assegurar a esperada cobertura escolar, entre outros, o importante é não apenas o reconhecimento da situação actual, como também os esforços que se fazem.
O percentual de cobertura escolar em todo o país aumenta significativamente e com os actuais esforços do Estado pretende-se uma redução gradual para as melhorias que se impõem no sector da Educação.
Na Educação como noutros sectores da sociedade, mais do que exigir o que não existe e não temos, precisamos de aprender a trabalhar com as condições que temos.
Embora seja normal e natural a exigência por mais e melhor, sobretudo quando há comprovado conhecimento e capacidade para efectivação de tais variáveis para o desempenho que todos esperamos, insistimos que devemos contar, sobretudo, com o que temos para trabalhar e fazer Angola avançar.
Com a abertura de mais um ano lectivo e ultrapassadas que foram as situações menos boas que sucederam no acto de inscrição e matrícula, é tempo de os professores, alunos, gestores escolares, encarregados e tutores desempenharem, cada um, o seu papel.
Como tem sido reconhecido por muitos gestores escolares, grande parte dos encarregados apenas aparecem no início do ano lectivo, acto de inscrição e confirmação das matrículas, e no fim, para se inteirarem do resultado final.
É verdade que alguns, mais zelosos e comprometidos com o desempenho escolar dos seus educandos, fazem-se presentes ao longo dos três trimestres, mantendo, sempre que possível, o contacto com o professor ou professores.
E caso a presença física e regular dos encarregados ou tutores seja dificultada por qualquer motivo, não podemos perder de vista que as comunicações encurtaram significativamente as distâncias, razão pela qual nada justifica a completa ausência de contacto entre pais e professores.
Sob o lema " Por um ensino de qualidade promovamos a competência e o bem-estar", há uma grande expectativa para que este ano se consiga superar as eventuais insuficiências do anterior.

Tempo

você e o jornal de angola

PARTICIPE

Escreva ao Jornal de Angola.

enviar carta

Multimédia