Opinião

O crédito malparado e o financiamento da economia

A possibilidade de o crédito malparado de bancos comerciais públicos vir a ser recuperado por via judicial criou a expectativa de que os dinheiros dessas instituições bancárias emprestados a cidadãos identificados e identificáveis poderão contribuir para aquecer a economia por via do financiamento das empresas.

Na verdade, se o dinheiro emprestado por aqueles bancos for recuperado, maior será a disponibilidade para emprestarem dinheiro a investidores de que dele precisam para, em muitos casos, reactivarem a actividade produtiva das empresas.
Sabe-se que no país muitas empresas foram à falência porque ficaram desprovidas de meios financeiros para honrar os compromissos de vária ordem. Estando os bancos comerciais, em particular as instituições bancárias públicas, com saúde financeira, eles poderão financiar cada vez mais a economia, que precisa de sair da crise em que se encontra.
No passado, bancos públicos emprestavam dinheiro sem exigir garantias eficazes dos créditos concedidos, tendo uma parte considerável de devedores feito mau uso do dinheiro que tomaram de empréstimo, sem a preocupação de que tinham como obrigação devolver o que deviam.
Há informações de que muitos devedores de bancos públicos recebiam avultadas somas em dinheiro, sem que essas instituições observassem os procedimentos que são normais em qualquer parte do mundo, com graves prejuízos para o Estado angolano.
Depois do anúncio de se querer recuperar o crédito malparado por via judicial, abre-se uma nova era de gestão do que é público, esperando-se que os gestores do Estado que trabalham em instituições bancárias passem doravante a actuar em cumprimento rigoroso do que as regras estabelecem.
Os bancos comerciais públicos são empresas que têm como objecto principal a maximização do lucro. Os bancos não são empresas que fazem doações, pelo que a sua gestão deve obedecer ao deve estar centrada em práticas que não sejam lesivas dos interesses do Estado e dos seus clientes. Os bancos públicos foram criados para cumprirem, também eles, o papel de intermediários entre os que poupam dinheiro, por via dos depósitos, e os investidores, que precisam de capitais para realizar a actividade produtiva. Cumprindo os bancos este papel, a economia, em condições normais, cresce. Mas quando há demasiado crédito malparado, os bancos têm dificuldade para financiar a economia.
Pretende-se hoje em Angola que as instituições do Estado funcionem tendo em vista a salvaguarda dos interesses superiores da Nação, sendo louvável que se estejam a criar progressivamente condições para que os dinheiros públicos não estejam a saque.
Será necessário, depois dos erros graves cometidos na gestão dos bancos comerciais públicos, que se reflicta sobre o perfil dos gestores que devem estar a gerir as instituições bancárias do Estado.
É necessário que os critérios de escolha dos gestores para os bancos públicos sejam objectivos, devendo integrar os conselhos de administração aquelas pessoas que realmente dão garantias de que vão tornar aquelas instituições robustas, para os novos desafios que temos.
É preciso colocar nos bancos comerciais públicos pessoas idóneas, competentes, patriotas e honestas. E temos cidadãos com este perfil no nosso país.

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