Opinião

O fornecimento de água potável

A sociedade testemunha hoje, mais do que nunca, muita conversa, debates e inclusive greves envolvendo o pessoal do sector da Saúde, realidade que anima e comprova o novo ciclo do país. Apenas dando a oportunidade às pessoas, associadas ou não em classes profissionais ou sindicais, é que vai ser possível saber o que pensam, o que têm a propor para a melhoria da vida em sociedade. E relativamente à saúde, ao lado de todos os esforços para melhorar este importante sector, está um outro que deve ser resolvido com alguma urgência. Trata-se de um importante aliado, a água potável que, nos últimos tempos, tem faltado com a regularidade, o que exigiria da Empresa Pública de Águas de Luanda (EPAL) uma explicação. É normal que a empresa de águas enfrente dificuldades no asseguramento de um serviço regular e eficiente de fornecimento em quantidade e qualidade, a todos os consumidores.

Mas não faz sentido que às famílias não sejam dados esclarecimentos sobre o que se está a passar com a falta recorrente de água nos bairros de Luanda.
Um pouco por toda a cidade de Luanda, inclusive em bairros com canalização de água, vêem-se, cada vez mais, dezenas de pessoas a percorrerem longas distâncias para acarretar o líquido precioso. É perturbador ter torneiras que não jorram e, em algumas circunstâncias, vertem o líquido precioso aleatoriamente e que estas situações sejam encaradas com absoluta normalidade pela EPAL. Há problemas de produção, de falta de pessoal, de meios ou há, da parte da Empresa Pública de Águas de Luanda, o propósito de fornecer um serviço deficiente e completamente reprovável?
Vai ser muito difícil proporcionar garantias de saúde se não formos capazes de fazer do fornecimento de água, em qualidade e quantidade, um processo diário e normal em todos os bairros de Luanda.
Falamos dos bairros de Luanda porque se trata do espaço territorial angolano com maior densidade populacional, embora, na verdade, esta situação, a da falta recorrente de água e sem esclarecimentos, ocorra um pouco por todo o país. As instituições do Estado deverão, eventualmente, encarar a possibilidade de estudos que permitam avaliar uma possível abertura no mercado do fornecimento de água e permitir a entrada de entes privados. Urge viabilizar a entrada em funcionamento de outras empresas de fornecimento de água porque, por exemplo, para a região de Luanda, com os cerca de oito milhões de consumidores, provavelmente a EPAL não consiga "dar conta do recado" sozinha. Esta realidade, a da falta regular de água, está a ter um forte impacto na prevalência da maior parte das doenças que são completamente evitáveis. A EPAL que venha a público esclarecer estes casos recorrentes de falta de água, de fornecimento irregular e da eventual necessidade de deixar de ter o monopólio deste serviço.

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