Opinião

O livro e o incentivo à leitura

Um escritor brasileiro, nascido no século XIX ,disse certa vez que "um país se faz com homens e livros". No nosso país está a haver a preocupação de se incentivar a leitura, por via da criação de bibliotecas e de outras iniciativas, que levem os cidadãos angolanos a ter acesso a livros e a ler mais.

É entretanto interessante saber, por exemplo, a percentagem de angolanos que lêem livros anualmente, que livros lêem e onde lêem. Estes dados podiam servir para ajudar as autoridades competentes a gizar uma política do livro que produzisse resultados.
Importa conhecer primeiro a nossa realidade sobre o livro e a leitura, para depois se aplicarem as políticas que contribuam para dar soluções aos problemas. É inquestionável que as autoridades pretendem que haja um nível elevado de literacia no país, em particular entre os estudantes, para que possam aumentar as suas competências. O livro é um importante instrumento de aquisição de saber.
Ouvem-se frequentemente no país comentários, que se referem ao facto de haver muitos alunos universitários que não sabem ler e escrever correctamente o português. O problema desta dificuldade de domínio do português reside, para muitos, nas debilidades que há no ensino da língua de Camões no ensino primário e médio. Temos de fazer, a propósito, estas perguntas: que professores é que temos no ensino primário e médio para ensinar bem a língua portuguesa? Será que foi dada a possibilidade aos professores de língua portuguesa do ensino primário e médio de se formarem em escolas de nível capaz de lhes transmitir os conhecimentos necessários para poderem preparar os alunos para outros desafios?
A ideia de o país ter uma política do livro e de incentivo à leitura é boa, mas será necessário olhar também para as competências de quem tem de ensinar a língua portuguesa nas escolas do ensino primário e médio.
Há quem defenda que os melhores professores de português devem estar no ensino primário e médio, para termos estudantes universitários sem preocupações com a leitura e a escrita daquela língua.
Há estudantes universitários que se negam a ler livros que lhes exigem um maior esforço de interpretação de textos, pensando que fascículos com uma dúzia de páginas, muitas vezes elaborados à pressa por docentes garimpeiros, lhes vão resolver os problemas de aprendizagem.
Há quadros angolanos formados em diferentes instituições de ensino superior angolano que se sentem frustrados quando chegam ao mercado de trabalho, por serem confrontados com exigências para as quais não estavam preparados . As universidades não devem ficar desligadas da dinâmica do nosso mercado de trabalho. Deve conhecer essa realidade para dotar os alunos das melhores ferramentas, para que mais facilmente sejam absorvidos pelo mercado de trabalho e possam iniciar uma carreira profissional.
O livro e a leitura desempenham um papel importante na formação dos nossos quadros, que se devem preocupar em procurar o que há de melhor em termos de literatura em diferentes ramos do saber.

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