Opinião

O papel do livro

O papel do livro nas sociedades modernas, como de resto ao longo da História, está e esteve sempre intrinsecamente ligado à evolução e mudança com impacto na vida das pessoas, famílias, instituições e Estados. O chamado mestre-mudo desempenha um papel chave numa altura em que pretendemos rapidamente contornar indicadores sociais que, diríamos mesmo sem errar, ainda nos envergonham, tais como o obscurantismo, a ignorância, o reduzido domínio da ciência e da técnica.

É urgente hoje, como foi ontem e será sempre, a facilitação do acesso ao livro, quer por via da produção literária, quer por via de incentivos às editoras e tipografias, quer por via institucional com a efectivação de uma política nacional do livro.
O país tem outras prioridades, é verdade, mas tudo é importante e, dentro das prioridades vitais, de uma ou de outra forma, o livro deverá sempre fazer parte atendendo que a compreensão dos fenómenos a todos os níveis passa, directa ou indirectamente pelo livro.
Para dominar a ciência e tecnologia é quase que inevitável ter os livros como aliados, razão pela qual não pode ser visto como um luxo empenhar-se para o seu acesso generalizado.
É um bem que deve estar próximo e acessível para todos em condições normais para que a nossa sociedade evolua tal como as outras em que o nível de acesso e leitura de livros comprova o índice de desenvolvimento, do domínio da ciência e da técnica.
Em todas as esferas da vida, precisamos do auxílio indispensável que os compêndios escolares, técnicos, profissionais, entre outros, podem proporcionar, inclusive em áreas onde aparentemente não seja necessário. Para que o agricultor domine melhor o processo que envolve o seu trabalho, e para que este seja menos rudimentar e mais consentâneo com a ciência e modernidade, não há dúvidas que essa eventualidade passa também pelos livros. O défice de leitura na nossa sociedade não pode, sob nenhum pretexto, dar aparentemente a ideia de dispensabilidade ou irrelevância do papel do livro e da leitura.
Urge promover um ambiente diferente em que, para o nosso próprio bem e para o avanço do país, o papel daquele importante bem corresponda aos anseios de transformação e modernização de Angola. Assim, seremos mais competitivos num mundo cada vez mais exigente.
O anúncio, há dias, da ministra da Cultura sobre a pretensão do Executivo em trabalhar para reduzir o preço do livro apenas peca por tardia, mas fazemos todos votos de que essa empreitada se efective em curto espaço de tempo. Precisamos todos de trabalhar para que o preço do livro, uma vez reduzido aos níveis do poder de compra do cidadão comum, seja um dos factores a incentivar a aquisição e a leitura.
Fazemos votos de que o Executivo seja bem sucedido na empreitada para transformar o livro numa espécie de “pão nosso de cada dia”, na vertente espiritual, para que a mulher e o homem angolano cresçam, sejam formados e vivam tendo o livro como um dos seus aliados na busca do saber.

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