Opinião

O alerta do secretário-geral da ONU

Diz-se que o ano que se segue a um outro, mais do que abranger novos desafios, acaba por envolver também a resolução de problemas não resolvidos no ano anterior.

Assim, neste novo ano que começa, muitos dos desafios que a humanidade vai enfrentar são também problemas não inteiramente superados em anos anteriores e, nalguns casos, que acabaram por se agudizar com contornos perigosos. Numerosos problemas que afectam a paz e segurança em todo o mundo acentuaram-se dramaticamente, numa altura em que focos de conflito e problemas ligados à crise económica e financeira mundial prenunciam um ano cheio de enormes desafios.
Esta é uma das razões que levou o secretário-geral da ONU, António Guterres, na sua mensagem de fim de ano, a considerar que o mundo caminha sob um “alerta vermelho”, com conflitos que prevalecem e se juntam a novos perigos.
“Quando assumi o cargo há um ano atrás, apelei para que 2017 fosse um ano de paz, infelizmente, em muitos aspectos, o mundo caminhou em sentido inverso”, disse António Guterres.
O número um da ONU, para dar exemplo sobre o que notou, disse que “as preocupações globais sobre as armas nucleares são maiores hoje desde o fim da Guerra Fria e as mudanças climáticas estão-se a mover mais rápido do que nós. As desigualdades estão a crescer, e testemunhamos violações horríveis dos direitos humanos. O nacionalismo e a xenofobia estão em ascensão”.
Nunca a necessidade de união, de transformação dos desafios e problemas locais em globais, bem como da coordenação de esforços comuns  se tornaram tão urgentes e inadiáveis como nestes tempos de incerteza e indefinição.
É preocupante a exibição de forças na península coreana, quer por parte da Coreia do Norte com os seus ensaios de lançamento de mísseis, quer por parte dos Estados Unidos com os exercícios militares conjuntos com os seus aliados naquela região. A ONU precisa de fazer mais para que a estabilidade, ainda que precária e claramente a “paz das armas”, prevaleça em detrimento da eclosão de um conflito em  que nenhuma das partes sairá vitoriosa. É preciso que países como a China, a Rússia, a Coreia do Sul e o Japão, apenas para citar estes, que aparentemente podem jogar um papel positivo no sentido da via diplomática, exerçam de facto o papel que deles se espera.
Ao nível do Médio Oriente, urge levar as partes, israelita e palestiniana,  ao diálogo e reatamento do processo de paz, em vez da criação de fracturas e divisões por parte de entidades que deviam respeitar escrupulosamente resoluções do Conselho de Segurança da ONU. A guerra no Iémen, cuja crise humanitária atingiu já proporções incalculáveis, não deve continuar órfã das grandes tribunas diplomáticas mundiais, neste ano que agora começa. O respeito pelas minorias, pelos refugiados e pelos povos em geral deve ser observado à luz de Tratados e Convenções Internacionais. É inaceitável em pleno século XXI que os povos rohingyas estejam a ser alvo de limpeza étnica no Myanmar ante à indiferença do mundo, que os refugiados africanos continuem a transformar o Mediterrâneo em cemitério, que os grupos armados, de contrabando e tráfico de armas, de drogas e de seres humanos continuem a prosperar.
A exortação de António Guterres deve servir para mobilizar toda a humanidade em torno de causas  que dizem respeito a todos, nomeadamente a paz, a segurança, a estabilidade, as alterações climáticas, as grandes endemias. O mundo precisa de construção de pontes, de confiança, de união, de reforço da concertação e coordenação de esforços em torno de objectivos comuns.

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