Opinião

O Nobel da Paz

O Prémio Nobel da Paz costuma gerar controvérsia quando é usado como arma de arremesso contra países que por qualquer razão se demarcam dos ditames das grandes potências ocidentais.

O Prémio Nobel da Paz costuma gerar controvérsia quando é usado como arma de arremesso contra países que por qualquer razão se demarcam dos ditames das grandes potências ocidentais. Cada vez mais líderes políticos pensam que esses países não devem agir como se fossem os paraísos da democracia e os padrões da moral universal. Há quem ponha em causa esta hegemonia numa perspectiva dialogante e participativa mas também há confronto. E é nesse clima bipolar que nasceu o “Eixo do Mal” ou o concito de guerra preventiva. Por isso, são de louvar todas as iniciativas que promovam um mundo mais pacífico e mais justo.
Este ano, o Prémio Nobel da Paz foi para o dissidente chinês Liu Xiaobo. Os critérios de atribuição foram seguramente os mesmos do ano passado e de outros anos em que a paz é uma espécie de arma de arremesso contra quem ousa sair do caminho estreito da normalização ou põe em causa uma hegemonia imposta e cada vez mais pesada para os povos que tentam desesperadamente sair do círculo infernal do subdesenvolvimento.
Os líderes políticos que recusam para os seus países o papel de meros fornecedores de matérias-primas, cérebros ou mão-de-obra indiferenciada, costumam pagar caro essa ousadia. O mesmo acontece aos que recusam a desordem estabelecida.
O mundo vive, há muitos anos, tempos de uma guerra tão cruel que as explosões ofuscam o Sol. Neste quadro de morte e sofrimento, quando surge um líder político a mandar ensarilhar as armas ou a estender a mão aos adversários, deve ser aplaudido e admirado. É um pequeno passo em direcção à paz mundial e esse caminho faz-se de pequeníssimos avanços, porque a ideia da guerra e da confrontação é dominante.
Todos os povos e todos os países têm os seus arautos da paz. Se fosse possível juntá-los todos, a confrontação e a violência inusitada que já nem sequer poupa os sectores mais vulneráveis da espécie humana, crianças, mulheres e velhos, dava lugar à concórdia mundial.
Em Angola temos o mais importante de todos os construtores da paz: José Eduardo dos Santos. Ele é o símbolo máximo de um povo que consentiu enormes sacrifícios para a Humanidade viver num mundo mais pacífico e justo. O Presidente da República mostrou o seu amor à paz quando mobilizou o seu povo contra o regime de “apartheid”. Para combater Hitler, foi necessária uma aliança planetária que incluiu todas as democracias do mundo. E ainda bem que foi possível juntar a força dos “Aliados” porque só assim os que cometeram os mais hediondos crimes contra a Humanidade foram derrotados.
José Eduardo dos Santos enfrentou o regime de Pretória que nos fundamentos e na prática era bem pior do que o nazismo. Neste combate desigual, os “Aliados” da II Guerra Mundial de ontem ou ficaram indiferentes ou apoiaram abertamente os aspirantes a Hitler na África Austral. É por isso que todos os anos, quando o Comité Nobel atribui o prémio da paz, nós temos a certeza de que ninguém merece mais essa distinção do que o nosso Presidente e o heróico Povo Angolano que libertaram a Humanidade do mais odioso regime que alguma vez existiu no planeta Terra.
A nossa paz é legítima e é a maior realização do Povo Angolano, desde a Independência Nacional. Nós soltámos pombas brancas que voaram desde Luena para o mundo, numa mensagem de heroísmo e bravura, para que nunca mais a Humanidade consentisse um regime como o do “Apartheid”.
Todos os anos, por esta altura, é revelado o Prémio Nobel da Paz. Nesse dia nós recordamos que foi o Povo Angolano que acabou com as intervenções de mercenários nos países mais fracos. Foram os angolanos que julgaram os “cães de guerra” que até então punham e depunham presidentes, faziam e desfaziam países. Ninguém pode apresentar feitos mais importantes do que este, para ser galardoado com o Prémio Nobel da Paz.
Nelson Mandela é um símbolo universal da paz e da concórdia. Os angolanos deram a vida e a liberdade para ajoelhar os seus carcereiros. Tudo começou na batalha do Cuito Cuanavale, um pequeno lugar de Angola. Os combatentes angolanos começaram ali, entre a morte e a metralha, a escancarar as portas da cela de Mandela. Se há feito mais importante do que este para a paz na África Austral e no mundo, que nos digam. Que mostrem esses heróis da democracia, que nos mostrem o líder político que teve artes de unir o seu povo à volta do ideal da liberdade.
Por isso, todos os anos, nós temos o nosso Prémio Nobel da Paz. Os que são nomeados e distinguidos de facto, se fossem protagonistas de tão relevantes serviços prestados à Humanidade, não havia distinção à altura da sua grandeza.
José Eduardo dos Santos e o Povo Angolano deram vida à paz, quando ela estava moribunda nas masmorras do “apartheid” e ameaçava África e a Humanidade com uma violência inusitada.

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