Opinião

Os bens mal adquiridos em África

Os activos, financeiros e materiais, adquiridos indevidamente em África, geralmente por famílias e pessoas próximas do poder tendem a conhecer, hoje, em muitas realidades, um tratamento diferente dos anos passados.

Muitos países africanos estão a levar a sério o que impõem os protocolos e convenções das organizações continentais e regionais, o que recomendam as Organizações Internacionais, bem como o que exigem às sociedades civis em África. A consciência sobre a corrupção, tráfico de influência, enriquecimento ilícito, branqueamento de capitais, lavagem de dinheiro, entre outras práticas, cresceu significativamente no continente.
Hoje, as populações e as organizações da sociedade civil, mais nalguns países que noutros, é verdade, ganha, cada vez mais, maturidade que leva os actores políticos a não minimizarem essa realidade.
As perdas para a corrupção, em África, são colossais e requerem a tomada de medidas urgentes, tal como alguns países o fazem, independentemente das leituras nem sempre favoráveis.
Segundo dados da Transparência Internacional, publicados no ano passado e referindo aos últimos anos, os países africanos perdem pelo menos 50 mil milhões de dólares anualmente para fluxos financeiros ilícitos. E grande parte desses montantes, além de "alimentarem" economias não africanas, acabam, depois, em contas bancárias de paraísos fiscais e, não raras vezes, retidas sem que os "titulares" consigam reaver no seu todo.
Felizmente, hoje, um pouco por toda a África, os bens mal adquiridos estão a ganhar uma dimensão política, policial e judicial que nunca tiveram no passado recente. Os países africanos que promovem campanhas internas no sentido do combate à corrupção e sensibilização para que a cultura do dinheiro fácil dê lugar a outros valores, apenas devem ser encorajados.
Devem reforçar as suas instituições, têm de cumprir com o primado da lei, das Convenções e Tratados africanos e regionais, além de outros passos que assegurem um combate contra males que apenas vão acabar por fazer bem a todos.
Não se trata de processos fáceis, nem se esperam por actos completamente perfeitos, nesta cruzada contra a corrupção, por parte dos países africanos, a julgar pela falibilidade humana.
Os interesses instalados, constituídos na sua essência indevidamente, acabam sempre por ser os primeiros a promover a esperada táctica da vitimização, as alegadas acusações de caça às bruxas, entre outros.
Em Angola, as autoridades e toda a sociedade estão, hoje mais do nunca, completamente conscientes das vantagens de se erradicar a corrupção, de se promover um ambiente em que a aquisição de bens de forma indevida e injustificável não seja uma realidade normal.
A ideia de que "ninguém vive do salário", a cultura do dinheiro fácil, do tráfico de influência, do nepotismo, entre outras práticas nefastas, que acabaram por transformar Angola num dos países mais corruptos do mundo, têm de dar lugar a uma fase completamente nova em que os bens sejam adquiridos honesta e devidamente.

Tempo

você e o jornal de angola

PARTICIPE

Escreva ao Jornal de Angola.

enviar carta

Multimédia