Opinião

Os desafios da SADC

Começa hoje a 39 ª Cimeira Ordinária dos Chefes de Estado e de Governo da SADC, na cidade de Dar-es-Salaam, capital da Tanzânia, sob o tema “Um ambiente propício para o desenvolvimento industrial inclusivo e sustentável, para o aumento do comércio intra-regional e a criação de empregos”.

Precedida do encontro ministerial e de peritos que prepararam os principais documentos sobre os quais as lideranças da organização regional vão trabalhar e tomar decisões em função da temática escolhida para presidir à cimeira, o encontro sucede numa altura de grandes desafios regionais.
O Presidente da República, João Lourenço, encontra-se, desde ontem, naquele país da África oriental para, junto com os homólogos, trabalharem em torno de temas que mais preocupam a comunidade, nomeadamente os efeitos das alterações climáticas, os mecanismos de alerta e emergência, tendo em vista a prevenção desses fenómenos, entre outros. Essa realidade, à luz do lema da cimeira, deve ser encarada como novas oportunidades para reforçar os laços económicos e comerciais para proporcionar oportunidades de negócio, trocas comerciais e criação de empregos.
Embora se pretenda um desenvolvimento sustentável, com projectos de industrialização da sub-região, não há dúvidas de que crescem, também, as preocupações com as questões que envolvem as alterações climáticas e os seus efeitos.
A cúpula regional anual, liderada pelo presidente da organização regional, o Chefe de Estado namibiano, Hage Geingob, que vai testemunhar igualmente, a passagem do cargo que ocupa para o anfitrião, o Presidente John Magufuli, está atenta a estes desenvolvimentos que o clima a todos os níveis conhece.
A Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da SADC é a mais alta instância da organização, com plenos poderes para tomar decisões em nome dos Estados membros, sempre precedido do importante trabalho de preparação das delegações ministeriais e dos peritos.
Acreditamos que as lideranças da organização vão passar, também, em revista os níveis de implementação do Plano Estratégico Indicativo de Desenvolvimento Regional (2015/2020), os desafios impostos pela insegurança marítima no Oceano Índico e a agenda para lidar com o impacto da seca e inundações em alguns países.
O quadro é desafiador, razão pela qual os Chefes de Estado e de Governo deverão,, como se espera, apostar na congregação de esforços e meios para ajudar a mitigar os efeitos negativos das alterações climáticas em muitos países. Na verdade, trata-se de uma nova realidade, à qual os países da sub-região vão ter de se adaptar, insistimos, sempre com perspectivas das novas oportunidades que a mesma oferece em detrimento de ser encarada como mera ou eventual “maldição regional”.
Apenas para exemplificar, atendendo às experiências por que passaram países como Moçambique e Angola, cujas regiões afectadas continuam ainda a viver sequelas dos fenómenos naturais, não seria de todo exagerado ponderar-se a criação de fundos para acudir as intempéries. Diz-se que “prevenir é melhor do que remediar”, logo a possibilidade de criação de um fundo para acudir a situações ligadas aos efeitos negativos das alterações climáticas deve ser sempre colocada sobre a mesa das decisões.

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