Opinião

Prevenção de conflitos

O entendimento comum e uma coordenação eficaz sobre questões como a prevenção de conflitos e mediação é motivo de um Debate Técnico de Alto Nível na sede das Nações Unidas, que teve início ontem na cidade de Nova Iorque.

A humanidade em várias partes do mundo enfrenta problemas globais a um ritmo frenético, desde os conflitos armados às calamidades naturais, que reclamam uma tomada de medidas por todos em nome de todos. A participação de vários líderes mundiais, a troca de informação e de experiência sobre questões como a prevenção de conflitos, a mediação e o fortalecimento das instituições constituem ferramentas importantes. Numa altura em que as informações circulam a uma velocidade vertiginosa, é fundamental que os Estados reforcem os mecanismos para promoção do entendimento comum. A interdependência dos Estados tem de ter como base a contínua coordenação na busca das melhores soluções para problemas comuns.
A necessidade de cooperação entre a ONU e as organizações regionais e sub-regionais, numa altura em que os desafios se tornaram globais e exigentes, faz todo o sentido. Os problemas de instabilidade, tanto no centro, no ocidente e no Corno de África, o contrabando de seres humanos emigrantes para a Europa, os conflitos no Médio Oriente e na Ásia requerem posições comuns e soluções concertadas.
Esperemos que haja coerência política necessária e determinação diplomática na abordagem de problemas que constituem hoje sérias ameaças à paz e segurança internacionais.
É preciso que as intervenções tenham como pano de fundo as causas que estão na base dos actuais desafios provocados e acelerados com a desestabilização de muitos Estados.
Os interesses económicos, políticos e geopolíticos e geoestratégicos precisam de ser devidamente articulados na medida em que tomadas de decisões insensatas resultaram em verdadeiras calamidades.
Os problemas não resolvidos há mais de 60 anos que envolvem Israel e a Palestina têm constituído uma espécie de “ingrediente” para reivindicações que alimentam conflitos, tensões e focos de instabilidade
O norte de África conheceu níveis assustadores de instabilidade tendo como causa directa a intervenção militar estrangeira naquela região e que deu azo, hoje, aos desenvolvimentos que assistimos com muita mágoa.
O mundo não pode continuar a assistir, como se estivesse de mãos totalmente atadas, às actividades de grupos que promovem o contrabando de pessoas para a Europa com todos os riscos envolvidos na travessia do Mar Mediterrâneo.
As instâncias internacionais têm que debater problemas globais que requerem respostas globais, que não fiquem refém de interesses de grupos de países ou de potências, emperrando o lado positivo de iniciativas que visam o bem comum. 
Angola, enquanto Presidente da Conferência Internacional da Região dos Grandes Lagos (CIRGL), foi convidada a participar no evento e é representada pelo ministro das Relações Exteriores, Georges Chicoti.
O chefe da diplomacia angolana vai reafirmar a estratégia diplomática angolana, que passa pela aposta no diálogo e concertação para aproximar posições desavindas e resolver diferendos.
Orgulhamo-nos pelo facto de Angola ser campeã em África da promoção do uso de meios pacíficos, da concertação política e diplomática, bem como na aposta da cooperação económica como parte das soluções para os desafios que afligem numerosas sociedades. Hoje, está provado que o uso do chamado “Soft Power”,  o uso de meios não letais e com grande capacidade de persuasão, acarreta mais benefícios que o recurso a meios coercivos.
Sob o lema “Fortalecimento da Cooperação entre as Nações Unidas e as Organizações Regionais e Sub-Regionais”, o debate que tem lugar na sede da ONU é também um alerta sobre a dimensão de numerosos desafios que a comunidade internacional enfrenta.
É encorajador saber que a protecção dos direitos humanos, a organização e financiamento sustentável das organizações regionais e sub-regionais, o apoio internacional para a construção de capacidades dessas organizações, a construção da paz e desenvolvimento, também constam da agenda da sessão.
Esperemos que desta reunião da ONU saiam importantes medidas e recomendações que vinculem as organizações internacionais e estimulem os Estados numa direcção unanimemente percorrida para a busca de soluções comuns.
Pretendemos todos ver a materialização de uma agenda pós-2015 que privilegie a paz, a segurança, a estabilidade, a cooperação pacífica entre os Estados e a observância do Direito Internacional.

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