Opinião

Reconciliação com a História

O gesto demonstrado há dias pelo presidente eleito do MPLA de reconciliação com o passado constitui um exemplo que deve transcender o simples reencontro daquele partido com a sua História.

Tratou-se, também, de um repto a todos os angolanos para irem ao encontro de factos, feitos e figuras que, no passado recente de Angola, contribuíram para que o país fosse bom,  inclusivo e voltado para todos os seus filhos.
Desta forma e numa espécie de “catarse nacional”, estimulada também pelo período de paz e estabilidade que vivemos, seremos capazes de afugentar os fantasmas que transformaram algumas figuras em heróis e outras em vilões. Não se pretende apagar esse contexto, nem minimizar essa realidade, mas retirar dele as melhores lições que tornam os angolanos unidos, reconciliados e em paz consigo mesmos.
Devemos assumir o nosso passado, enaltecer as figuras que nele intervieram, não apenas para que conheçamos o que realmente se passou, mas inclusive como forma de evitarmos os erros cometidos. Como é sabido, a História da Humanidade tem sido fundamentalmente um conjunto de repetições, facto que pode ser aproveitado melhor se a aprendizagem envolver conhecimento e domínio dos seus aspectos positivos e negativos.  
A iniciativa do líder do partido no poder de homenagear figuras históricas daquela formação política, que marcaram a fase embrionária e posterior do então “movimento”, pode igualmente ser guindado para o exercício de reencontro e reconciliação com o passado.
Na verdade, toda a sociedade angolana precisa, nesta fase de reconstrução do país, de reencontrar-se com o seu passado para situar-se bem no presente e perspectivar melhor o futuro. É milenar a ideia de que saberemos para onde ir quanto maior for o conhecimento de todo o processo que nos trouxe a todos até onde nos encontramos.
O processo de engajamento e de luta que culminou com a proclamação da Independência Nacional contou com a participação de numerosas figuras, entre conhecidas e anónimas, que precisam de ser devidamente lembradas, homenageadas e celebradas.
A construção da nação angolana deve processar-se de maneira a incluirmos todos aqueles que, à sua maneira, procuraram fazer o que de melhor encaravam para Angola.
É verdade que neste processo nem tudo correu bem, atendendo à condição humana imperfeita, sendo o mais importante retirar as melhores lições da História do passado recente de Angola. Não é hora de vermos quem mais errou, quem mais fez e quem menos fez, sendo sobretudo fundamental o que de mais importante se pode aprender com tudo isso.
A probabilidade de sucesso da sociedade angolana passa também por esse exercício, o de reencontro e reconciliação com a História, porque apenas assim seremos capazes de construir uma sociedade livre, justa, democrática, solidária, de paz, igualdade e progresso social.

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