Opinião

Reformas e mudança de mentalidade

No discurso de abertura da II sessão ordinária do Comité Central do MPLA, o partido no poder em Angola, o presidente daquela formação política reafirmou a necessidade das reformas em curso.

 Contrariamente ao que muitas vozes propalam, João Lourenço explicou que, atendendo ao estado social, económico e financeiro em que Angola se encontrava, até muito recentemente, obviamente com vestígios ainda nos dias de hoje, as reformas são produto de causas endógenas. Não se trata de reformas por imposição do Fundo Monetário Internacional (FMI), cuja intervenção deve-se apenas à solicitação das autoridades angolanas, mas por necessidade e urgência consentâneas com a realidade do país. Independentemente da presença e assistência daquela importante instituição financeira internacional, cujo principal papel visa ajudar os países membros a fazerem uma gestão correcta das suas finanças e a regularem a balança de pagamentos, entre outros, Angola precisa de sair da situação em que se encontra. Como sucede com as famílias e inclusive pessoas singulares, o país não podia continuar a alimentar a ilusão do contínuo endividamento, da redução da sua capacidade de produção de riqueza, adiando o futuro do país.
A situação económica e financeira do país, nos últimos cinco anos, traduzia-se numa insustentável depauperação do Estado, no contínuo desequilíbrio das contas públicas, da balança de pagamentos e de um endividamento acima da capacidade do Estado. Além de práticas de peculato e outras conexas, acompanhadas da sensação generalizada de impunidade por parte dos promotores e praticantes, num claro exercício de “assalto aos cofres do Estado”, o país produzia riqueza a um ritmo três ou quatro vezes inferior aos níveis de endividamento do Estado. “Não poderíamos continuar a manter os paradigmas anteriores cruzando os braços e deixar que as coisas continuassem na mesma”, disse o líder do partido no poder, numa alusão à necessidade e à urgência das reformas, que apenas pecam por tardias. Precisamos de fazer uma série de correcções, a maior delas completamente ao alcance dos angolanos para que Angola entre num curso normal de produção de riqueza que transcenda o endividamento do Estado e que o PIB do país não seja dedicado, em mais de 30 por cento, ao pagamento de dívidas.
Mas, para isso, é preciso que mudemos de mentalidade, ao contrário de vermos as reformas como arma de arremesso contra as famílias, empresas e pessoas, pois elas são, na verdade, a via para regular disfunções económicas, financeiras e até comportamentais de todos os actores da economia. Precisamos de aceitar de uma vez por todas que, tal como a vida é feita de ciclos, as etapas por que passam os Estados, na materialização das suas principais tarefas, também passam por fases, correcções e adaptações ao contexto. O actual, pelos vistos, de muitas exigências para as autoridades investidas de poder, é igualmente para o cidadão comum que, como se espera, deve realizar mudanças que se adaptem ao contexto de muito trabalho, algum sacrifício momentâneo.
“É inevitável a mudança de mentalidades, atitudes e comportamentos, a começar pelos próprios militantes do MPLA que, em princípio, devem ser optimistas e acreditar no sucesso das reformas em curso”, disse o Presidente, dirigindo-se, para começar, aos “camaradas”, mas, obviamente, a todos os angolanos.

 

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