Opinião

Tempos de adaptação e recomeço

Numa altura em que Angola inteira se prepara para enfrentar tudo quanto é susceptível de ocorrer com o actual estado de coisas, a começar pela pandemia da covid-19, passando pelo Decreto Presidencial que impõe o Estado de Emergência ao cumprimento das orientações, tudo isso requer adaptação e recomeço.

Tal como as instituições do Estado têm vindo a indicar, sem alarmismos, mas tendo como base as projecções económicas, financeiras e sociais que resultam do cenário que está apenas a começar, precisamos todos de nos adaptar. Não se trata de uma situação perante a qual temos muitas escolhas, diferentes das adiantadas pelas instituições do Estado em concertação com os seus parceiros. Devemos sobretudo contar com as nossas condições, com as limitações de recursos de que dispõe o Estado, do papel instrumental que as nossas populações podem jogar e da ideia, bastante evocada pelo mundo, de que “estamos todos no mesmo barco”.
O pensamento errado de que a Covid-19 é um problema de alguns povos ou, mesmo dentro do nosso território, o raciocínio equivocado de que enquanto “não me afectar”, são formas de “se estar” em sociedade que nada ajudam.  Hoje, e atendendo a dimensão do problema, mais graves noutras latitudes em que se tornaram realidades infernais as mortes diárias, nunca antes vistas em dezenas e centenas de pessoas, ninguém ousa pensar que a Covid-19 é apenas um problema de uns e não de outros. Trata-se de um problema global na medida em que, sem qualquer exagero, podemos dizer que os seus efeitos, directa ou indirectamente, vão atingir a todos sem excepção, como já decorre.
A ideia de adaptação que se requer de cada um de nós radica, precisamente, na perspectiva de que nenhum país, nenhuma população estará completamente imune aos efeitos da Covid-19, quer do ponto de vista das implicações ao nível da saúde pública, quer ao da economia. Nesta última e porque a vida vai continuar, os esforços de adaptação é que serão maiores na medida em que em muitas esferas se vai exigir uma espécie de novo começo. A iniciar pela forma como as chamadas economias emergentes habituaram-se a estruturar e prever as suas estratégias de financiamento e despesas, não há dúvidas de que muito vai mudar.
Da parte das famílias, empresas e pessoas singulares a actual situação de excepção vai exigir uma grande capacidade de adaptação, inclusive para facilitar um recomeço na etapa posterior. O importante é que nem tudo está perdido na medida em que, como ensina a experiência, quando se perdem algumas coisas ganham-se outras, não raras vezes mais úteis, menos onerosas e mais eficazes.
Acreditamos que a actual conjuntura provocada pela Covid-19, tal como as demais crises enfrentadas pela humanidade, vai passar e a vida continuar, razão pela qual urge traçar estratégias não apenas de adaptação, mas igualmente de recomeço.
Nesta altura em que, por força da circunstância actual, surgem novas formas de encarar a vida, as empresas e as instituições podem servir como paradigmas importantes, nomeadamente a contenção de gastos, as deslocações desnecessárias e as evitáveis perdas de tempo. Encontramo-nos todos a fazer um novo aprendizado inclusive do uso do factor tempo, um recurso, na maioria das vezes, não renovável que, nesta altura, deve ser devidamente aproveitado.  Embora não fosse de todo previsível e nem seja desejável, o cenário por que passamos todos está a mudar muitos hábitos e costumes, umas vezes para mal, outras vezes para bem, com os quais apenas temos de nos adaptar.

 

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