Opinião

Valorização da juventude

O desenvolvimento de África e a juventude do continente é um tema que tem estado no centro das preocupações da Organização das Nações Unidas. Há mesmo organismos especializados  da ONU a  elaborar estudos sobre a situação dos jovens no continente africano.

Trata-se de estudos necessários, para que os governos do continente africano possam  ter  indicações sobre a real situação da juventude em África. O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) fez um estudo que se centrou no fenómeno do terrorismo, tendo concluído que a marginalização e a pobreza incentivam jovens a  aderir a organizações terroristas.
É importante que se continue a fazer estudos sobre  a situação da juventude, em várias vertentes. Os estudos sobre a juventude podem fornecer informações que conduzam ao combate eficiente a muitos males que afectam muitos milhares de jovens.
É positivo o facto de a União Africana estar preocupada também com a situação da juventude  no continente berço da humanidade. Os jovens constituem em África um grande potencial humano para aproveitar as oportunidades que o continente  oferece. Os governos de África devem adoptar políticas públicas  para que a juventude possa  ser uma  verdadeira mais valia no  processo complexo de construção do desenvolvimento.
Uma das áreas em que os governos africanos devem concentrar esforços é a da educação. Precisamos de ter no continente jovens bem formados em  várias áreas do saber.
A educação deve ser uma prioridade em  África,  devendo os parlamentos  africanos afectar verbas substanciais  à formação de quadros. Só com quadros altamente qualificados  poderá a África chegar ao desenvolvimento. É preciso  perceber que o ensino em África tem de ter qualidade, para que o sector da actividade  produtiva venha  a produzir bons resultados.
Com quadros altamente qualificados , poderemos, por exemplo, ter boas empresas,  devendo-se entretanto criar as condições necessárias para que  os técnicos sejam bem  remunerados, a fim de se evitar a fuga de “cérebros”.  Outros continentes  estão sempre  disponíveis para receber os melhores quadros de África , porque muitas vezes os governos de países do continente não  se preocupam em  criar as condições  para que eles permaneçam  nas suas terras.
É preciso valorizar o saber no continente africano. Os quadros africanos de grande valia  devem    viver dignamente, evitando-se  casos  de técnicos  que são votados ao abandono  e que só são  valorizados quando outros continentes lhes prestam atenção e até  lhes dão o que nós, africanos, podemos dar-lhes. É necessário repensar a política de formação e  valorização dos quadros africanos.
É ainda  necessário incentivar o regresso de quadros africanos aos seus países de origem, que precisam do seu conhecimento em vários domínios. Muitos quadros estão felizmente a regressar aos seus países para criar empresas, que estão a ajudar a desenvolver a economia de  vários Estados  do continente.  Os governos de África devem  passar a confiar  no potencial  dos seus “cérebros”.  Se quisermos que os nossos “cérebros” trabalhem  em  África , é importante  que não se criem  obstáculos ao trabalho daqueles  filhos que querem  contribuir para o progresso do seu continente.
Temos quadros que, se fossem acarinhados nos seus países , nunca teriam  deixado  o continente . É com muita amargura que muitos quadros  abandonam  os seus  países de origem para viverem na Europa ou nas Américas. Muitos deles gostariam de colocar o seu conhecimento ao serviço dos seus países.

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