Opinião

Valorizemos mais a vida humana

Depois da celebração do "Dia dos Finados", importa falar sobre a vida, empenhar-se para que a vida humana esteja "blindada" por um conjunto de factores que inviabilizam a sua banalização.

Neste início de Novembro e por razões óbvias, parece crescer a consciência sobre a brevidade da vida, sobre os factores que a encurtam de forma evitável, sobre os seus perigos, etc. Não é exagerado dizer que precisamos de valorizar mais a vida humana para contrariar os casos reprováveis na via pública, nas unidades hospitalares, nas comunidades e nos agregados familiares que tornaram a vida uma espécie de mercadoria descartável.
É verdade que o Estado, enquanto ente de bem e que tudo faz em defesa da vida, produziu um conjunto de instrumentos legais para defender este bem precioso cuja perda se torna irreparável. Mas a sociedade em geral precisa de repensar muitas das atitudes comportamentais que tendem a traduzir o velho adágio proverbial africano segundo o qual "o homem prejudica homem igual para o seu próprio prejuízo."
Não podemos deixar de reflectir sobre os actos de solidariedade não prestados, em condições normais e seguras, para com os outros na via pública, atitude e comportamento que acabam um dia recaindo sobre nós próprios. A lógica do "cada um por si e Deus por todos" está a levar inclusive a uma completa banalização da vida e, não raras vezes, a uma espécie de culto da morte.
Embora natural e justificável, não basta demonstrar profunda comoção pela morte quando, nalguns casos, se procede de maneira claramente desrespeitosa para com a própria  e a vida de terceiros.
Se olharmos para as estatísticas que nos mostram os números da fatalidade, bem como algumas das causas, é clara a conclusão de que tem havido em muitos casos reduzida valorização da humana. A morte em condições evitáveis deve ser sempre motivo de preocupação e eventualmente de responsabilização, contrariamente ao recorrente discurso das estatísticas que procura minimizar a perda da vida em função do número.
Mesmo referindo-se à chamada primeira causa de morte, a malária, e a tida como segunda, a sinistralidade rodoviária, se por um lado o percentual de negligência e irresponsabilidade é menor no primeiro, no segundo os números são assustadores. As autoridades que superintendem o sector da Saúde, em colaboração com as famílias, devem continuar a trabalhar arduamente para se inverter o quadro de mortalidade nos hospitais.
A estratégia de prevenção, com a promoção de consultas de rotina proporcionais a uma boa capacidade de resposta das unidades hospitalares, tem de ser o caminho a ser trilhado por todos. 
A forma como os acidentes de viação estão a causar óbitos em muitas famílias, além de ser assustadora, reflecte em certa medida até onde valorizamos a vida humana. E é sobre essas coisas que precisamos todos de reflectir porque não podemos continuar a viver com taxas elevadas de mortalidade entre a nossa população. As perdas económicas são avultadas e os encargos por parte das instituições e do Estado com viúvas e órfãos, além daqueles que se tornam inválidos, devem levar-nos todos a pensar  e a reflectir.
A perda da vida não é reparável e, como não existem evidências, não é recomendável que se viva como se houvesse mais vida além da actual, a ponto da sua banalização e desvalorização. As famílias não podem cruzar os braços diante de  casos confirmados de alcoolismo crónico, consumo de drogas, condução em estado de embriaguez, conduta criminal de membros da família, apenas para mencionar estes casos. Valorizemos mais a vida humana, porque, além de a mesma não dever ser vivida irresponsavelmente, ela não é substituível.

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