Opinião

Falta de domínio

Amândio Clemente

O mais comum dos cidadãos adepto do futebol começa a ficar cada vez mais convencido de que o elenco que dirige o órgão reitor da modalidade perdeu de vez o norte e o sul, pelas constantes falhas na organização dos processos administrativos ligados à Selecção Nacional de Honras.

Depois das novelas ocorridas no estágio em Portugal e no Egipto, palco da Taça de África das Nações, que colocaram desavindos jogadores e membros do elenco federativo, com ameaças de greve pelo meio, resultantes dos "quilápis" das diárias e dos prémios de qualificação, que alguns pares de Artur Almeida e Silva vieram despudoradamente tentar escamotear, veio a saber-se depois que afinal houve mesmo problemas e a discussão foi tão acalorada que só não aconteceram cenas de pugilato, entre treinador e dirigente, por uma unha negra.
A novela afinal tinha ainda outros capítulos, tal como o da recusa do treinador assumir a orientação dos Palancas do CHAN, com as consequências que todos conhecemos. O ambiente mostrava claramente uma ruptura entre a FAF e o seleccionador, mas os membros do elenco federativo negavam-se a aceitar esta evidência, pelo menos publicamente conforme entrevista cedida a este jornal por um dos vice-presidentes de Artur Almeida e Silva, que falou em especulações.
Mas, como bons actores de novelas, na sexta-feira os dirigentes da FAF abriram um novo capítulo da novela, anunciando o despedimento do treinador, algo que só estava mesmo à espera de confirmação, depois do “bater da porta” do treinador convocado para uma reunião, onde pretendiam ralhá-lo.
A demora da confirmação do divórcio, cria no entanto um novo capítulo na novela, pois a FAF teve de arranjar às pressas um substituto do sérvio, para um compromisso que está praticamente à porta. Reconheço competência no técnico escolhido, mas considero que lhe foi entregue um presente envenenado que pode vir a beliscar a sua ficha de serviço, porque apesar de o adversário chamar-se Gâmbia, um desconhecido, se este pequeno país estiver organizado e a fazer as coisas como deve ser, ao contrário dos nossos iluminados, o que vai acontecer não vai certamente agradar aos prosélitos da modalidade.
O desnorte na FAF é de tal amplitude que, recentemente, indagado sobre a preparação para este jogo, o presidente da instituição alegou não dominar(!) o "dossier", porque estava em convalescença(!). Esta admissão de Artur Almeida e Silva vem demonstrar que afinal o futebol angolano está entregue à sua sorte e não será no mandato destes senhores que vai sair do fundo do poço onde o colocaram.

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