Opinião

Tudo na mesma na frente síria

Benjamim Formigo |

Enquanto nos Estados Unidos decorre a campanha eleitoral mais agressiva de que há memória, na Europa se fazem planos e definem estratégias antiterroristas ignorando os efeitos dos cortes orçamentais na segurança, na Turquia continua em curso uma purga inaceitável, na Síria a violência mantém-se e a diplomacia parece esquecida no meio das preocupações imediatas das potências desenvolvidas.

Em paralelo, a crise económica volta a fazer descer o crude, agravando os problemas dos países exportadores e as suas dívidas soberanas. Ninguém parece incomodar-se com os outros nem preocupar-se com o dia em que a crise já global se agrave com a queda de algum dos grandes bancos cuja real situação, como a do Deutshe Bank, cujo crédito mal parado é astronómico, é mantida na maior das discrições.  Na Síria surgiram notícias do uso de cloro, altamente tóxico, durante os combates em Alepo. Se de facto esse gás, comum na indústria e de fácil obtenção, foi usado ou não, é inconfirmável por meios independentes. É certo que com o apoio russo as forças governamentais têm feito consideráveis avanços e que os curdos, que a Turquia hostiliza ao ponto de já os ter bombardeado, têm obrigado o autoproclamado “Estado Islâmico” a retirar para o Iraque, onde forças iraquianas com apoio americano e a colaboração curda os empurram para Norte, onde estão os curdos “peshmerga”, temíveis combatentes.
Na falta de espaço, embora ainda disponha de um imenso território, o chamado “Estado Islâmico” tenderá a manter posições e a usar de todos os meios. Não admira, portanto, que o uso de cloro seja de sua autoria, embora os “media” ocidentais timidamente apontem os russos, sobretudo agora que na campanha eleitoral americana Donald Trump caiu na esparrela de afirmar as suas “boas relações” com Vladimir Putin, o que na última semana tem procurado desmentir – resultado, as grandes cadeias passam vezes sem conta as suas declarações. Contudo, uma das acções de maior impacto tem sido a projecção para a Europa das acções terroristas reivindicadas pelo aparelho de propaganda do dito “Estado Islâmico”.
Parada ou em discreto e lento movimento está a diplomacia, única solução viável para um país já tão castigado como a Síria. Não é de admirar que no terreno os combates continuem à procura de melhores posições negociais.
O cessar-fogo da ONU não passa do papel, nem vale o papel em que está escrito. Escrevemos na altura em que a sua verificação era uma quase impossibilidade. O resultado de um plano que tem os seus méritos mas imensas falhas, está à vista. E estará enquanto se mantiver a mentalidade instalada de regresso à Guerra Fria.

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