Opinião

Militantes recordam fundador da FNLA

Bernardino Manje

O presidente da FNLA, Lucas Ngonda, orienta, hoje, em Luanda, uma palestra com o tema “Holden Roberto - uma vida por Angola e pelos angolanos” que visa assinalar o 13º aniversário do falecimento do fundador do partido.

Segundo uma nota do partido, o acto decorre no complexo da FNLA, em Viana, vulgo “15 de Março”, para o qual estão convidados militantes e interessados. O líder histórico da FNLA morreu a 2 de Agosto de 2007, em Luanda, aos 84 anos, vítima de doença. Foi um dos três dirigentes angolanos subscritores do Acordo de Alvor, que levou Angola à Independência Nacional, em 1975. 

Álvaro Holden Roberto nasceu, a 12 de Janeiro de 1923, em Mbanza Congo e fez os estudos primários e secundários em Léopoldville (actual Kinshasa), onde viveu de 1925 a 1940, altura em que regressa à terra natal, onde fica pouco mais de um ano. Durante oito anos, foi contabilista na administração colonial belga e jogou futebol com alguns futuros políticos congoleses.

Conta-se que a opção pela política resultou de um caso de brutalidade que Holden Roberto presenciou durante uma visita a Angola, entre um chefe de posto branco e um velho negro, mas a opção resultou, também, dos contactos que manteve, nos anos 1950, com um círculo de congoleses e figuras como Patrice Lumumba.

Em 1956, lançou-se na luta de libertação nacional, dois anos depois da criação da União dos Povos do Norte de Angola (UPNA), mais tarde designada UPA. Foi já como representante da UPA que levou, em 1958, à primeira Conferência dos Povos Africanos, realizada no Gana, a questão do trabalho forçado em Angola.

Dois anos mais tarde, na segunda Conferência dos Povos Africanos, defendeu a Independência de Angola, mas recusou-se a aderir ao Movimento Anti-Colonialista (MAC), que juntava Amílcar Cabral, Mário de Andrade e Lúcio Lara.

Além de Lumumba, manteve contactos com Kenneth Kaunda, Tom Mboya, Franz Fanon, entre outras personalidades da vida política africana. Também chamado Holden Carson Graham, em homenagem ao missionário que o baptizou, o líder histórico da FNLA usou outros nomes como Joy Gilmore. Em 1962, criou a Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), da qual se tornou presidente.

Esta organização constituiu, nesse ano, o Governo Revolucionário de Angola no Exílio (GRAE), no qual Jonas Savimbi surge como ministro dos Negócios Estrangeiros. Em Janeiro de 1975, Holden Roberto, juntamente com Agostinho Neto (MPLA) e Jonas Savimbi (UNITA) assinou com o Estado português o Acordo do Alvor, que estipulava o processo e calendário do acesso de Angola à Independência Nacional, proclamada a 11 de Novembro do mesmo ano.

Em 1992, nas primeiras eleições gerais realizadas no país, a FNLA conquistou cinco lugares no Parlamento, enquanto para a Presidência do país Holden Roberto ficou em terceiro lugar, depois de José Eduardo dos Santos - o vencedor da primeira volta - e Jonas Savimbi.

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