A polémica sobre as forças de intervenção militar africanas

Roger Godwin
19 de Abril, 2013

A recente morte em combate de 13 soldados sul-africanos que faziam parte de numa forca de intervenção continental na Republica Centro Africana vem aumentar a poléma que envolve este tipo de operações, tanto nos aspectos organizativos como logísticos.

Estes militares sul-africanos foram, em 23 de Março, as principais vitimas estrangeiras do avanço dos rebeldes sobre Bangui que culminou com a fuga para a RDC do Presidente François Bozize e na consumação de mais um golpe de Estado.
Para se poder avaliar a importância deste caso, em primeiro lugar importa sublinhar a ausência de acções efectivas e concertadas a nível das organizações africanas para zelar por este tipo de operações que envolvem elementos de diversas nacionalidades para determinadas missões especificas e previamente delineadas.
A falta de recursos financeiros e a salvaguarda de interesses individuais para as operações colectivas têm feito com que as forcas de intervenção africanas cheguem atrasadas, muitas das vezes desorganizadas e sem objectivos específicos às zonas para onde são chamadas.
O que actualmente se passa no Mali, onde a forca de intervenção africana chega a “conta gotas” para desempenhar tarefas definidas por um comando francês que nada tem a ver com a União Africana é o exemplo mais flagrante da falta de coesão organizativa para dar cumprimento às resoluções aprovadas em fóruns meramente políticos.
Para justificar a morte de 13 dos seus soldados o governo sul-africano disse, na altura, que eles haviam tombado na defesa da política externa do seu país, argumento que não trouxe nenhuma espécie de conforto aos familiares.
Curiosamente, um dia depois da fatal emboscada, o governo de Bangui assinou um pacto de tréguas com os rebeldes que evitou mais derramamento de sangue e marcou o início do processo de transição de poder. Como uma das principais potencias do continente, a África do Sul é frequentemente confrontada com a necessidade de ser chamada a pronunciar-se e a intervir nos principais conflitos que afectam o continente.
Foi assim na Republica Centro Africana, como o está a ser no Zimbabwe, Costa do Marfim e na Republica Democrática do Congo nos quais o Presidente Jacob Zuma desempenha o importante papel de mediador na procura de soluções políticas que possam evitar situações onde se torne inevitável o envio de forcas de intervenção militar.
Essa responsabilidade regional faz com que, a par de Angola, seja um parceiro incontornável na cena mundial para, mais tarde ou mais cedo, aderir ao grupo de países em vias de crescimento, vulgarmente conhecidos como BRICS.
Tudo isto faz com, a nível da sua politica externa, a África do Sul seja um pais de quem muito se espera em termos de contribuição para que as organizações regionais, em termos político e militar, possam funcionar com a necessária organização de modo a poderem melhorar a capacidade de resposta.
Por essa razão, a morte de 13 dos seus soldados na Republica Centro Africana devia ter para o continente africano o mesmo peso de idêntica situação que envolvesse militares norte-americanos num qualquer outro cenário de guerra.
Com o país a debater-se com os problemas de saúde de Nelson Mandela, uma das principais referencias históricas e morais dos tempos que correm, os sul-africanos precisam de ter e de sentir o apoio dos parceiros regionais.
Mas, para isso, é igualmente necessário que outras potencias continentais, como Angola e a Nigéria, por exemplo, sejam reconhecidas pela importância que inequivocamente têm na definição de uma estratégia política capaz de responder aos desafios do persente e, sobretudo, de um futuro muito próximo.
O crescimento económico que o continente africano regista, sobretudo na última década, carece de maior capacidade organizativa das suas estruturas políticas e militares para continuar a crescer de forma sustentada e com maiores possibilidades de poder responder aos desafios que se desenham para um futuro muito próximo.
Infelizmente, o eclodir de conflitos nalgumas regiões do continente africano obriga a que se tenha em linha de conta a inevitabilidade de preparação de operações de intervenção de modo a salvaguardar as instituições democráticas dos países ameaçados.
Por isso torna-se urgente reforçar a capacidade organizativa das diferentes instituições regionais, políticas e militares, de modo que se possam prevenir situações que conduzam à morte daqueles que foram preparados para defender a paz.
Sem essa capacidade corre-se o risco de algumas dessas operações de intervenção para a defesa da democracia se poderem transformar em perigosas fontes de desestabilização nacional e regional capazes de promoverem ainda mais conflitos.

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