Opinião

União de esforços a favor da Líbia

Roger Godwin |

Vários países, de diferentes continentes, estão a unir os seus esforços a favor da Líbia, numa tentativa de consolidar os recentes entendimentos obtidos pelas partes em confronto e que culminaram com a constituição de um Governo que congrega várias forças nacionais.

Nesse sentido, nos últimos dias, a Líbia tem estado no centro de todas as atenções, com a cidade de Tripoli a ser ponto de passagem para ministros provenientes de todo o mundo e com os grandes líderes ocidentais a empenharem-se, pessoalmente, para que este acordo de paz dê os frutos desejados.
Neste momento, o grande objectivo da comunidade internacional parece ser o de dar legitimidade ao Governo de reconciliação nacional que está em exercício desde o início de Abril dirigido por Fayezal-Sarraj.
Na passada semana encontraram-se com ele na base naval de Tripoli os chefes da diplomacia de Espanha e da Alemanha, que lhe foram reafirmar o seu apoio e, mais do que isso, reconhecer a sua legitimidade na função de responsável pela preparação de eleições que, à luz do acordo, devem ter lugar no prazo máximo de dois anos.
Antes disso, Barak  Obama e Angela Merkel haviam manifestado publicamente o seu apoio ao Governo de reconciliação que está no poder na Líbia, disponibilizando-se para intermediar soluções que possam facilitar o processo de preparação das eleições.
Porém, neste momento, o principal problema da Líbia já não é o do entendimento entre as diferentes forças que estão no terreno, mas sim o de como fazer frente à crescente ameaça terrorista representada pelo chamado “Estado Islâmico”.
Um dia antes da chegada do ministro dos Negócios Estrangeiros de Espanha a Tripoli, as autoridades líbias haviam sido confrontadas com a presença na cidade de jhiadistas do grupo terrorista, que teriam atacado uma esquadra e morto cinco pessoas, fugindo depois para lugar desconhecido.
Esse incidente, um de entre vários que se têm registado nos últimos dias, mostra que os terroristas estão cada vez mais infiltrados na capital do país, recorrendo frequentemente a ataques “cirúrgicos” com o aparente objectivo de fazerem frustrar o sucesso obtido com a formação de um Governo que incluiu representantes de diferentes forças, entre elas as duas que reclamavam legitimidade para governar através da instituição de dois executivos e de outros tantos parlamentos. Como se isso não bastasse, há três dias, no sudoeste do país, registou-se o assassinato de 15 pessoas, 12 egípcios e três líbios, que foram atacadas no próprio local de trabalho.
Estas mortes, de que nenhum grupo reivindicou até agora a autoria, estão a ser encaradas como uma tentativa de um grupo, que não concorda com a existência de um Governo de reconciliação nacional, de tentar sabotar os esforços para a consolidação de um projecto de paz.
Alguns observadores líbios consideram que as grandes potências internacionais terão que ser mais efectivas na sua ajuda e menos palavrosas, uma vez que o problema agora se prende directamente com a acção terrorista das forças que estão contra o Governo de reconciliação.
Até ao momento todos os países que felicitaram o líder do Governo de reconciliação ficaram-se pelas palavras, não adiantando nada em relação à eventualidade de terem uma intervenção mais efectiva para a manutenção da segurança no país.
Umas promessas de doação e uns conselhos sobre como se reconciliarem entre si é tudo aquilo que tanto os Estados Unidos como Espanha e a Alemanha até agora fizeram para ajudar o novo Governo líbio. As Nações Unidas, que poderiam ter um papel determinante para congregar esforços de ajuda para que a Líbia possa combater o terrorismo, ficaram-se pela condenação da morte das 15 pessoas, parecendo estar a aguardar mais algum tempo para ver se este novo acordo tem efectivamente pernas para andar de modo seguro.
O grande problema é que enquanto o tempo passa, mais vai aumentando o número de pessoas mortas no país pela intervenção dos terroristas do denominado “Estado islâmico”.
Este facto, como se comprova pelo que se tem vindo a passar nos últimos dias, pode minar decisivamente este acordo e deitar por terra as esperanças que os líbios e a comunidade internacional depositam nesta transição.
Para tentar evitar isso, o líder deste Governo tem insistido na necessidade de o país receber uma ajuda efectiva para resolver o seu principal problema, pois sem isso ser feito muito dificilmente se realizarão as eleições dentro do prazo previsto de dois anos.
Mais uma vez a comunidade internacional, com as suas hesitações em relação à estratégia a seguir, está a colocar em causa a possibilidade de solução para o problema da Líbia e a hipotecar o seus próprios esforços para remediar tudo o que de mau fez para este país deste o assassinato de Muammar Kadhafi.
Contrariamente ao que sucede na Síria e no Iraque, onde o ocidente combate o terrorismo através de ataques aéreos, na Líbia a única forma de o fazer é enviando homens para o terreno.
Entregar armas aos líbios, mesmo estando estes num Governo de unidade nacional, é uma solução perigosa, pois caso ele acabe antes de tempo, como muitos ainda temem, haveria mais homens armados no país prontos a tentar impor pela força a razão que julgam ter.

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