Opinião

O caos desce sobre a Europa

José Goulão |

Olhemos para a Europa de hoje. Estado de emergência em França pelo menos durante três meses, no país onde a privacidade dos cidadãos deixou de ser um direito fundamental e o Chefe de Estado pretende alterar a Constituição invocando a versão mais recente da chamada “guerra contra o terrorismo”, formulação de péssima memória.

Instauração de comportamentos próprios de Estados policiais em vários países da União Europeia, assim se informando os terroristas de que os seus objectivos de intimidação se estendem bem para lá dos atentados, instalando-se pela coacção psicológica e através da atemorização imposta pelos meios ditos de resposta, estratégia em que o comportamento da comunicação oficial alinhada nada tem de inocente.
Reforço das tendências xenófobas, racistas e persecutórias contra minorias, cada vez mais agravadas, e a ritmo exponencial, pela chegada maciça de refugiados e o modo como é encarada pelos governos e respectivos megafones. Vaga de refugiados que chega dos países artificialmente desmantelados com a colaboração de dirigentes europeus e de onde brota também o terrorismo.
Multiplicação de muros e barreiras através do espaço europeu como parte do combate aos refugiados e reforço dos controlos de fronteiras ao compasso da falsa dicotomia entre segurança e serviços de espionagem, absolutizados estes em sintonia com os venenosos sound-bites que pregam a necessidade de um big brother para garantir “o nosso civilizado modo de vida”.
Institucionalização do revanchismo nazi com a cumplicidade da OTAN, o que é evidente em países como a Estónia, a Letónia, a Ucrânia – onde o regime foi instalado com a cumplicidade da União Europeia – Hungria, Polónia, Eslováquia, Bósnia, Croácia, território do Kosovo, a par de ameaças concretas de se tornar poder em países como a França.
Desagregação irreversível da União Europeia, enredada na teia de erros impostos arbitrariamente para combater erros, tudo em defesa do austeritário neoliberalismo, da ditadura financeira e de uma moeda cruel num cenário generalizado de catástrofe social que as desumanas políticas governamentais aprofundam. A lista de factos poderia continuar e está na mente e nas reais inquietações dos cidadãos. Esta é a Europa que temos, nas mãos de irresponsáveis insensíveis, robots tecnocráticos cujas políticas militaristas e de agressão, com recurso comprovado ao terrorismo, estão na origem do ricochete que vitima civis inocentes já de si inquietos com as limitações à sobrevivência num duro dia-a-dia.
Muitos dos poucos que conhecem a “teoria do caos” idealizada nos anos setenta pelo lobista israelita de nacionalidade norte-americana Leo Strauss, depois recriada e aplicada por Paul Wolfowitz, Cheney, Powell, Rumsfeld e outros membros do gang neoconservador, consideram-na o suprassumo da “teoria da conspiração”.
Acham irrelevante que Wolfowitz seja igualmente um lobista israelita de nacionalidade norte-americana, omitem que ele mesmo, como membro da administração Bush filho, ajudou a criar as condições para a invasão e desmantelamento do Iraque, não admitem que esta operação seja a fonte original do caos gerado no Médio Oriente, escorrendo agora para a Europa enquanto os Estados Unidos se barricam contra as consequências.
Recordando: a “teoria do caos” estabelece que nenhuma potência mundial pode ter condições para rivalizar com os Estados Unidos da América, devendo a União Europeia manter-se sob o controlo político, económico e militar norte-americano. Nem que, para tal, seja preciso nela instalar o caos.
No estado a que as coisas chegaram, porém, o menos importante é concluir se estamos ou não perante uma “teoria da conspiração”. Porque poucos terão dúvidas de que o caos desce sobre a Europa perante uma União Europeia em agonia. Os dirigentes europeus foram no engodo e, um após outro, engoliram todos os sucessivos iscos lançados por Reagan, Bushes, Clintons, Obama e demais padrinhos de Washington que daí lavam as suas mãos enquanto continuam a fingir que nada têm a ver com o Estado Islâmico, a Al Qaeda, al-Nusra e outras comunidades de assassinos a soldo onde também pode encontrar-se o dedo sangrento dos serviços secretos israelitas.

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