Opinião

A concertação de interesses e necessidades dos calús

Arnaldo Santos |

Nos mambos em que nos envolvemos conjunturalmente, tem alguns que já estão de tal maneira enredados para os quais já não vale a pena dar palpites.

Tudo parece tão (des) arrumado que não há mais nada para ninguém. Mesmo assim, convoquei alguns mais-velhos calús. Gente de bom senso e consensual. Os do Makulusso, Jacinto, Benúdia e Cardoso, não compareceram à convocatória porque andam por muito longe e o “Andiki”, Zé Luandino e o João, deixaram de aparecer no Bairro que tal como o Kinaxixi já não existe na toponímia do município de Luanda.
Luanda arrasta atrás de si quase cinco séculos de existência, tem lastro demais de pessoas e acontecimentos, cada vez nem todas as coisas se podem aferir na mesma plataforma. Relevem-me o conceito muito ao gosto da maioria da juventude que só curte o moderno e não tem memória do passado da cidade. Estranharia os acesos debates sobre os percursos que as diferentes gerações lhe traçaram. Na época em que se escrevia Loanda, o conceituado funcionário de Fazenda, Lourenço Mendes da Conceição, acabou mesmo por editar um opúsculo a explicar aos mais renitentes “Porque Luanda se escreve com U” e que sempre teve um Presidente de Câmara Municipal eleito pelos moradores. Hoje, também tem um Presidente, mas nomeado para administrar recursos económicos destinados a implementar o Programa de Desenvolvimento da cidade até 2017, do qual os moradores dos 13 distritos que a integram pouco ou nada conhecem. Presumem que daquilo que lhes cabe opinar alguém lhes representa. Talvez as autoridades tradicionais, vulgo sobas, que estavam na foto da reunião com o Conselho de Concertação Social, mas não vi os sobas correspondentes ao distrito da Vila Alice nem o da Maianga.
De resto, a questão é irrelevante, porquanto com o Conselho Nacional da População, recentemente criado e presidido pelo Titular do Poder Executivo, tudo se definirá com a necessidade do melhor controlo dessa população do município que é vasta.
Os interesses e as necessidades em causa não são de somenos e o Instituto Nacional de Estatística não devia cunjonjar os dados sobre a população dos distritos calús. Os seus problemas estão intrinsecamente ligados aos entendimentos para evitar o uso discricionário dos recursos económicos destinados a atender prioridades sociais.
As questões são imbricadas e deste modo fica assim gorada a pretensão de desvendar as concertações para o que e à contumácia convoquei alguns mais-velhos calús que lá tiveram as suas razões para não comparecerem.

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