Opinião

A hora e a vez do General

Arnaldo Santos |

Na vida de cada um há sempre uma “hora e vez”, que por inesperada ou pelo seu carácter insólito nos comove irremediavelmente e convoca a agir.

Esse momento é único e nem sempre pode ser partilhado. E muito menos como o genial escritor Guimarães Rosa o fez na sua narrativa, “Hora e Vez de Augusto Matraga”. Literaturas à parte, a “hora e vez” tocam a todos, ainda que por motivos diferentes. 
As mudanças, quantas vezes ao sabor dos acontecimentos globais que nos são estranhos, constituem os desafios maiores a que todos estamos sujeitos. Alguns desses desafios ainda que de enorme gravidade não são novos para os angolanos. Estamos com eles desde que nos atrevemos a ser independentes. O nosso maior desafio nunca deixou de ser o mesmo – garantir a segurança da nossa população. Não o temos conseguido. As estatísticas sobre a mortalidade infantil são implacáveis. Em face disso não nos permite inflectir numa direcção que não tenha a resolução desta questão como essencial. Deste modo, no que respeita à segurança e protecção da nossa criança não há velhos e novos desafios. 
Depois das eleições é de presumir que o espectro político não vai diferir muito da panóplia anterior, mas decididamente não se sabe muito do que se pode vir a esperar. Em que medida se poderá executar seja o que for, sem um beneplácito da autoridade que lhe pré-existiu. A hora e a vez, se não é prerrogativa única daqueles que podem, fazem e desfazem, convenhamos, que por isso mesmo, se espera delas transformações concretas. O objectivo continua igual – resolver os problemas do povo – chavões que não precisam de ser polidos. Estes propósitos não pretendem assustar os novos empreendedores modernos protagonistas do desenvolvimento. 
Uma nova redefinição de preferências nas escolhas das opções e práticas fartamente denunciadas. 
O nosso próximo Presidente da República, o General João Lourenço, prometeu que voltaria a restituir aos cidadãos o respeito pelas Instituições nacionais, no contexto actual, nem sempre muito respeitadas em virtude da corrupção evidente que inviabiliza as possibilidades da defesa das famílias e até a salvação dos seus filhos. De acordo com a Unicef e outras agências Internacionais a mortalidade infantil é das mais altas do Mundo. Não se trata de salvar a reputação do País, mas as vidas das nossas novas gerações. 
Da hora e a vez do General que foi eleito Presidente da República de Angola, muito se tem que esperar. 
Há quem possa não acreditar nessa perspectiva. Os que se abstiveram de votar são os primeiros de quem não nos devemos esquecer. O que é que eles querem deste país? O que é que se lhes pode fazer crer que vale a pena continuar a lutar por ele.

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