Opinião

A retoma dos debates no Parlamento

Arnaldo Santos |

Já é um dado adquirido. A nossa Assembleia Nacional não quer desmerecer da iniciativa das televisões que iniciaram, com reconhecida audiência, uma série de debates sobre assuntos diversificados.

A sociedade expôs se é justo que aqueles que o Povo elegeu para na Assembleia Nacional o representarem o façam regular, metódica e profissionalmente. Assim é justa a expectativa que recai sobre a retoma no próximo dia 24 dos debates mensais, interrompidos por inconveniências múltiplas e recíprocas.
Não queremos deixar de destacar em que contexto se faz a retoma dos debates, e não será de certo por milagre que optimisticamente se poderá prever o que virá com a nova era da cooperação internacional para a diversificação da nossa economia. Neste observatório não se fazem projecções, mas não conseguimos, a não ser por artes menos científicas, prever como se vão desenvolver os debates que passarão a ter lugar no Parlamento circunscritos ao tema “Processos eleitorais, transparência e estabilidade”, proposto pela UNITA. Dada a sua amplitude, é de esperar muita coisa.
O momento reclama de forma activa e urgente a aplicação de medidas de “salvação nacional”(mas não por vias inadequadas) e é de prever que não sobrem motivos para argumentações sérias. Deste modo se compreende a pressa como se quer discutir prioritariamente a questão da conquista do Poder (por via dos mambos que ocorrem nas eleições) onde a transparência e estabilidade fazem uma boa figura.
Os partidos com tradição revolucionária têm razões para se sentirem à vontade nestes debates. Sabem o que significa estabilidade e transparência embora sobre esta última recaia uma contradição quase insuperável – o segredo, alma dos tramas, intrigas e negócios.
O Parlamento não é palco para o lançamento de fogos fátuos e é natural que a retoma dos debates não pode ser encarada propriamente como um facto trivial. Por isso mesmo e por terem sido colocadas com alguma pertinência dúvidas sobre a eficácia da comunicação institucional, convém conferir ao acontecimento a atenção que merece. As Instituições são mudas por definição, mas, por isso mesmo, nunca falham. O Executivo depende do Partido no Poder, que por sua vez está dependente do Executivo, numa lógica perfeita mas de harmonia duvidosa.
Na minha opinião esta retoma oferece excelente oportunidade para o Partido no Poder se redefinir relativamente à recuperação da economia real, cujos indicadores mais visíveis são muito pouco animadores.

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