Estou convicto que será assim e de uma maneira natural e sem muitos sobressaltos. Penso que, sejam quais forem os resultados das eleições gerais marcadas para amanhã, dia 23 de Agosto de 2017, Angola vai ser igual a si própria.
Mais uma vez. Eu, bem como muitos dos kotas mangolés, afinal já não somos assim tantos, já vimos muito. Eu mesmo perdi um pouco da arrogância de querer perceber tudo e posicionar-me correctamente, face às contradiçoes antagónicas. Hoje, nem sequer preciso de submergir aos abismos das redes sociais para adivinhar o que o sol da nossa terra nos revela. Ele, para já, é uma das poucas garantias destas minhas convicções. Naquilo que aos angolanos concerne, depois de uma longa vivência de sofrimento partilhada, ficaram para a nossa posteridade alguns traços que se não forem de todo comuns, nos aproximarão definitivamente da certeza do mesmo destino histórico. Cada vez sim, cada vez não, receio poder estar a ser demasiado, mas tem uma lógica que a nossa sagesse proverbial adverte, “onde habita a onça
e os mabecos, os golungos e seixas fogem”. Porém, observo que os angolanos não terão de comungar da mesma memória triste e confrangedora. Dá para notar pelo país algumas transformações significativas. Seria redundante insistir nisso, mas confesso que me assanho a fazer comparações inevitáveis porque elas me reavivam as imagens do passado. Na minha infância e adolescência o B.Ô. não tinha luz. Constava, por ser o bairro dos operários. O Sambizanga que se lhe seguia depois da rua da igreja de São Paulo e do Cine Colonial, também não tinha. As suas ruelas eram estreitas e muito escuras. Amanhã, aconteça o que acontecer no que os homens decidirem sobre si mesmos, o nosso sol já vai iluminar uma nova paisagem do mesmo país, teimosamente confiante em si mesmo.